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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011, 21h:21
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ROUBO NA CÂMARA
Delegado só fala após concluir inquérito
Responsável pelas investigações, o delegado Francisco Kunze se esquiva em comentar detalhes sobre os procedimentos para esclarecer o episódio
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O delegado responsável pela investigação do roubo de informações dobre os servidores e vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá já está analisando as imagens das câmeras de segurança. O roubo aconteceu há uma semana. Por volta do meio-dia da quarta-feira passada dois homens e uma mulher entraram no Legislativo municipal, arrombaram a porta da secretaria de recursos humanos e levaram os dois discos rígidos. Depois dessa etapa, o delegado Francisco Kunze vai adotar outras providências, como a realização de oitivas com testemunhas. Cauteloso, o delegado Kunze prefere não comentar detalhes da investigação e disse que vai se manifestar apenas ao final da investigação. O prazo legal para a conclusão do inquérito é de 30 dias, mas pode ser prorrogado. Pelo teor do roubo, vereadores suspeitam que o crime teve motivação política. Além das duas memórias dos computadores, os três assaltantes levaram apenas um monitor de computador LCD. O vereador Antônio Fernandes, presidente em exercício da Câmara, em coletiva à imprensa um dia depois do ocorrido, disse que viu pelos vídeos os três acusados assustados e atentos procurando a sala. Depois arrombaram a porta. Lá dentro, entre diversos computadores, escolheram os dois principais do setor, que contêm todas as informações da vida funcional dos servidores e vereadores, para roubar o HD. Eles desmontaram a CPU de cada computador para levar apenas a memória. De acordo com o tempo das imagens, eles ficaram dentro da sala por volta de 20 minutos. O vereador revelou que as câmeras de segurança haviam sido ligadas dois dias antes do roubo e que, portanto, por pouco toda a ação não foi filmada. Uma das hipóteses levantadas é a de que os três assaltantes achavam que as câmeras ainda estavam desativadas, por isso não se preocuparam em esconder os rostos. A situação pode indicar que eles tinham conhecimento dos procedimentos internos da Casa. Além da investigação judicial, também foi criada um sindicância interna para apurar o envolvimento de servidores no caso, como, por exemplo, a indicação dos computadores específicos com as informações que foram roubadas. Nos arquivos havia dados como valor do salário, hora extra, número de documentos pessoais e endereços de todos os vereadores e servidores. No entanto, o prejuízo não será maior porque a nova presidência do Legislativo, que tomou posse no dia primeiro de janeiro, já havia providenciado cópia desses arquivos. A Câmara de Vereadores está sob nova direção desde o dia 1º passado. O vereador Júlio Pinheiro (PTB) assumiu a presidência no lugar de Deucimar Silva (PP). O petebista anunciou que irá fazer uma auditoria nas contas do gestor anterior, porém não quer promover caça às bruxas.