A Delegacia Fazendária informou que não conseguiu concluir até ontem o inquérito policial que apura irregularidades na Câmara Municipal de Cuiabá, no biênio 2007/2008, gestão do ex-presidente Lutero Ponce (PMDB). Isso porque a análise de documentos apreendidos na Operação Crepúsculo ainda não foi finalizada e restam dados que precisam ser confrontados. Na quinta-feira (09), o vereador Lutero Ponce compareceu à Delegacia e respondeu cerca de 50 questões dos delegados da Polícia Civil, Lusia de Fátima Machado, Maria Alice Barros de Amorim, Wylton Massao Ohara, Rogério Atílio Modelli e Lindomar Aparecido Tófolli. Conforme os delegados, o parlamentar negou que conhecia qualquer irregularidade e afirmou que confiava nos secretários. Entretanto, Lutero já foi indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, fraudes em licitação e em documentos públicos e particulares. Após a conclusão do inquérito, o peemedebista deverá ser denunciado formalmente pelo Ministério Público Estadual (MPE) e responder na Justiça aos crimes que podem culminar em mais de dez anos de prisão e outras punições como indisponibilidade dos bens e ressarcimento aos cofres públicos. As investigações já apuraram que as fraudes somadas ultrapassam R$ 7,5 milhões. Não significa que o prejuízo ao erário seja esse, disse o delegado Wylton Massao Ohara. Aproximadamente 130 pessoas já foram ouvidas nos autos, entre empresários, representantes de empresas, servidores e ex-servidores. O inquérito policial (060/2009), instaurado no dia 15 de maio passado, apura crimes contra a administração púbica e fraude à licitação, supostamente ocorridos na gestão do ex-presidente Lutero Ponce de Arruda. O inquérito já tem cinco volumes e mais de 80 anexos. Apesar da insistência do parlamentar em negar qualquer prática fraudulenta, a delegada Maria Alice já informou que lembrou que mesmo após a conclusão do inquérito as investigações terão prosseguimento. Serão levantadas informações a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal do vereador.