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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 20h:42

INVESTIGAÇÕES

Delegacia apreende documentos na Câmara

Delegados recolheram dezenas de caixas de documentos relacionadas à gestão do ex-presidente do Legislativo, vereador Lutero Ponce

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Os quatro delegados da Delegacia Fazendária estiveram na manhã de ontem na Câmara Municipal para receber a auditoria interna independente realizada pelo atual presidente da Casa, vereador Deucimar Silva (PP). Além disso, os delegados também apreenderam documentos relacionados à movimentação financeira, empenhos, pagamentos e licitações referentes ao ano de 2007 e 2008, quando o Legislativo cuiabano era presidido pelo vereador Lutero Ponce (PMDB).Ao todo foram levadas 51 caixas com papéis. Tudo começou depois que o relatório final apresentado pela empresa Síntese Consultoria Contábil, contratada por Deucimar para fazer a auditoria, apontou um superfaturamento de mais de R$ 3 milhões só no ano passado. Foram constatados indícios graves de superfaturamento, fraudes em licitação e empresas fantasmas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o suposto desvio milionário. Segundo a titular da Delegacia Fazendária, Luzia de Fátima Machado, os documentos, que vão nortear o inquérito policial aberto ontem, foram recolhidos pelos delegados na Secretaria de Finanças e na Comissão de Licitação da Casa. O inquérito deve ser concluído em 60 dias. Luzia contou que analisou o resultado da auditoria de maneira superficial. Porém, já constatou a existência de graves indícios de irregularidades. "Se o crime for comprovado, o antigo gestor deverá responder por fraude em licitação, peculato, corrupção passiva e formação de quadrilha", afirmou. Ela ainda explicou que a auditoria será refeita de maneira criminal, já que o documento apresentado pela empresa possui um perfil técnico. "Vamos retroagir o trabalho a 2007", completou. O processo investigatório será conduzido pelos delegados-adjuntos Rogério Modelli, Wylton Massao Ohara e Maria Alice Barros Martins Amorim. O atual presidente da Câmara, vereador Deucimar Silva (PP), disse que se surpreendeu com a rapidez da Delegacia Fazendária em iniciar o inquérito policial. Anteontem, durante sessão ordinária da Câmara, por oito votos contra sete, os vereadores resolveram não abrir uma comissão processante administrativa que poderia render até o mandato de Lutero. Cinco pedidos de cassação foram protocolados na Câmara por conta do crime de improbidade administrativa. “Volto a dizer que nós perdemos a grande oportunidade de fiscalizarmos a nós mesmos”, lamentou o progressista. Deucimar designou a assessora jurídica da Casa, Rita Penha, para acompanhar o inquérito criminal. OUTRO LADO – O vereador Lutero Ponce foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado. Durante a sessão de quinta-feira, o peemedebista garantiu responderia a todos os questionamentos feitos pela Polícia Civil, Ministério Público ou Tribunal de Contas. “Se houve erros na minha gestão não houve dolo. Foram apenas falhas administrativas”, argumentou Lutero.

Edição EDIÇÃO 16965




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