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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015, 21h:12
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VENTRÍLOQUO
Delator confirma esquema na AL
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Delator da Operação Ventríloquo deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o advogado Joaquim Fábio Mielli de Camargo confirmou a existência de um esquema de desvio de R$ 9,6 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa de Mato Grosso que deveria ser destinado à quitação de uma dívida contraída na década 90 do Parlamento com o HSBC Seguros. A confirmação foi dada durante depoimento em audiência de instrução e julgamento na 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O esquema veio à tona com a Operação Ventríloquo deflagrada em julho deste ano pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), após delação premiada firmada pelo advogado Joaquim Camargo. Perante à juíza Selma Rosane Arruda, Camargo confirmou que repassou metade do dinheiro desviado em contas bancárias indicadas pelo ex-deputado estadual José Riva, confirmando assim as investigações conduzidas pelos promotores de Justiça. O delator explicou que foi procurado em 2012 pelo advogado Júlio César Domingues Rodrigues, que lhe informou sobre a possibilidade de firmar um acordo referente à dívida da Assembleia com o HSBC. Na época, Mielli era o representante jurídico do banco em Mato Grosso. Em 2014, assegurou que participou de uma reunião com o ex-presidente da Assembleia Legislativa, ex-deputado José Riva, e com o ex-secretário-geral do Legislativo Luiz Márcio Bastos Pommot para articular o acordo. Segundo ele, ficou estabelecido que a Assembleia Legislativa pagaria o valor devido ao HSBC com a garantia de que fosse devolvido 50% do valor a pessoas indicadas pelo ex-deputado. Os pagamentos eram feitos por meio de cheques destinados a contas indicadas por Luiz Pommot. O advogado ainda negou que tenha efetuado pagamentos a familiares do ex-presidente da Assembleia. Mielli declarou que não conhece a esposa do ex-deputado, Janete Riva, e seus filhos, Janaina Riva, José Riva Junior e Jéssica Riva. A denúncia criminal cita que o ex-deputado José Riva e os demais réus cometeram crimes de peculato, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na ação, o Gaeco pede a condenação dos denunciados, de forma solidária, ao pagamento de indenização pelos supostos prejuízos materiais, no valor de R$ 9.480.547,69. O órgão também pede a condenação dos quatro ao pagamento de R$ 10 milhões por supostos danos morais coletivos. Se condenados, o valor deverá ser investido nas áreas de Saúde e Educação. De acordo com o Gaeco, caso sejam condenados, as penas dos investigados podem chegar a 50 anos. A audiência de instrução e julgamento ainda prosseguirá ouvindo testemunhas de defesa e acusação.