Segundo o levantamento do Movimento Brasil Livre (MBL), três são contra a destituição da presidente e outros três estão indecisos
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Em um dos momentos mais tensos da política nacional, o que inclui pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manifestações contra o governo federal programadas para este domingo (13), apenas cinco dos 11 parlamentares da bancada federal de Mato Grosso são favoráveis ao impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Conforme levantamento divulgado em uma das páginas pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que vem organizando as manifestações pró-impeachment, dos representantes de Mato Grosso no Senado Federal, Blairo Maggi (PR) e José Medeiros (PPS) são favoráveis ao impeachment. Apenas o senador Welington Fagundes (PR) é contrário. Vice-líder do governo no Senado, Fagundes até participou nos últimos dias de reuniões com outros senadores com o intuito de preservar o mandato da presidente Dilma Rousseff. Na Câmara dos Deputados, são apontados contra o impeachment os deputados federais Carlos Bezerra (PMDB) e Ságuas Moraes (PT). Como indecisos estão os deputados federais Fábio Garcia (PSB), Ezequiel Fonseca (PP) e Valtenir Pereira (PMDB). Os demais deputados são favoráveis ao impeachment, sendo eles Adilton Sachetti (PSB), Nilson Leitão (PSDB) e Victorio Galli (PSC). O processo de impeachment foi aceito no dia 2 de dezembro do ano passado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDBRJ), que também está sendo investigado na Lava Jato. Ele acatou o pedido protocolado pelos procuradores de justiça aposentados de São Paulo, Hélio Bicudo (um dos fundadores do PT) e pelos advogados Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal. O pedido teve apoio formal dos partidos de oposição que são PSDB, DEM e PPS. O principal argumento em favor do impeachment é o de que a petista cometeu seguidamente diversos crimes de responsabilidade fiscal como violações à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e decretos que autorizavam suplementação orçamentária sem aprovação do Congresso Nacional. Conforme o TCU (Tribunal de Contas da União), essas medidas e os empréstimos contraídos com bancos públicos para subsidiar programas sociais geraram prejuízo de R$ 40 bilhões aos cofres públicos da União. Com o vazamento à imprensa da delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS), a oposição busca anexar trechos ao pedido de impeachment como a suspeita de que a presidente Dilma Rousseff tenha nomeado um ministro no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Marcelo Navarro, para libertar empresários presos pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, o que configuraria em um novo crime de responsabilidade, pois se trataria de uma tentativa de obstruir os trabalhos da Justiça.