Primeira Página
Quarta-feira, 23 de Maio de 2007, 20h:38
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INDEPENDÊNCIA
Cresce arco de insatisfeitos com governo
Gestão de Blairo Maggi tem dividido bancadas partidárias na Assembléia Legislativo e, conseqüentemente, lança críticas à administração
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O racha na bancada de sustentação do governo Blairo Maggi (PR) põe à prova, mais do que nunca, o poder de articulação do Executivo. Sem o apoio uníssono do PMDB, que decretou a independência na última segunda-feira, e enfrentando resistências no PP, além da oposição do PPS, o governo irá se lançar a partir de agora na tentativa de assegurar o apoio pessoal de deputados e não dos próprios partidos políticos à gestão da máquina pública. Naturalmente, o governo vai ter que conversar mais e também isoladamente com os deputados, avalia o deputado estadual José Riva (PP). Riva é um dos deputados que endureceram a posição contra o Executivo na tramitação das mensagens de realinhamento nos quadros da Polícia Militar e Bombeiros. A situação na Assembléia Legislativa (AL) trouxe consigo uma celeuma sem precedentes na relação entre Legislativo e Executivo desde o início da gestão Maggi, iniciada em 2003. O desafio pontual do Executivo é garantir o apoio institucional dos deputados do PP e assegurar por outra via no grupo governista os parlamentares peemedebistas Adalto de Freitas, o Daltinho, e Juarez Costa, apesar da decisão maior da Executiva do partido em deixar a base de governo. O quadro de incertezas recai de forma mais peculiar sobre Juarez Costa, vice-líder do governo, que deve proclamar hoje se renuncia ou não ao posto na estrutura do governo dentro da Assembléia Legislativa. A decisão final era condicionada até o início da noite de ontem a uma última conversa com o correligionário e vice-governador, Silval Barbosa, e o líder do governo no Legislativo, deputado Mauro Savi (PR). Ambos participaram de reunião geral do primeiro e segundo escalões do Estado, no Hotel Sesc Pantanal, em Poconé. A instabilidade governista dentro da AL dá o tom da verdadeira reviravolta que se abateu no quadro político nos últimos dois meses. O primeiro passo rumo ao estremecimento na base governista se deu com a aproximação do Partido dos Trabalhadores (PT), consolidada com a posse do deputado-licenciado Ságuas Moraes na cadeira de Secretário de Educação (Seduc). Criticado por partidos tradicionalmente aliados a Blairo Maggi, como o Democratas, e por próprios grupos internos do PT, o namoro entre governo e PT é tido por muitos como verdadeiro contra-senso ao histórico político tanto de Maggi quanto do partido lulista. O caldeirão de críticas ao governo ainda se acalorou em meio às mensagens da PM, cujo adiamento na votação gerou um completo clima de animosidade na Assembléia e na relação da Casa com o governo. Num último ato à paz que reinava na bancada governista, o PMDB resolveu se insurgir decididamente contra Maggi. O coro do descontentamento, antes bradado oficialmente pelos deputados Zé Carlos do Pátio e Walter Rabello, foi enfim assumido pela Executiva regional do partido. O posicionamento foi oficializado na última segunda-feira, em reunião com o governador no Palácio Paiaguás.