Crea busca informações para se posicionar sobre prisões
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso (Crea) vai requisitar uma audiência com o juiz federal Julier Sebastião da Silva, responsável pela operação Jurupari. O presidente do conselho, Tarciso Bassan, quer ter acesso às informações referentes aos engenheiros florestais presos na operação. Cerca de 40 engenheiros florestais foram presos na sexta-feira durante a operação. Segundo a Polícia Federal, eles são responsáveis pela expedição de laudos técnicos fraudulentos para fazendas em Mato Grosso, causando dano ambiental estimado em R$ 900 milhões. Cauteloso, o presidente do Crea se diz preocupado com a situação, pois podem ter havido equívocos sobre a responsabilidade dos engenheiros. Ele explica que um engenheiro florestal pode assinar um projeto de manejo florestal e outro pode ter executado, mudando os objetivos iniciais do projeto. No entanto, ambos teriam sido responsabilizados pela suposta irregularidade. Ele afirmou que o Crea tem acompanhado atentamente tudo o que tem sido publicado pela imprensa, mas não tem informações oficiais da Justiça. Queremos além de tudo nos colocar à disposição da Justiça e ajudar no quer for possível na apuração das denúncias, explicou. Bassan afirmou que, com o decorrer das investigações, poderá ser aberto processo administrativo que pode culminar na perda do registro profissional dos envolvidos no escândalo. Se houve mesmo laudos fraudulentos os profissionais com certeza serão punidos, inclusive com a perda de registro, disse o presidente. De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado na operação Jurupari se baseava em fraudes na emissão de plano de manejo com o objetivo de legalizar madeira extraída de áreas ilegais como reservas indígenas e de unidades de conservação. Para isso, as investigações apontaram a participação de engenheiros florestais autônomos, responsáveis pela expedição de laudos técnicos fraudulentos, servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e dos proprietários de imóveis rurais, além de servidores dos poderes Executivo e Legislativo estaduais. Os presos já recorreram e tentam reverter a situação no Tribunal Regional Federal.