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Primeira Página
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 22h:06

MINISTÉRIO PÚBLICO

Conselho Nacional arquiva denúncia

Conselheiros entenderam que MP de Mato Grosso não foi inerte em relação ao inquérito que investigou irregularidades em obra do Fórum de Cuiabá

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) julgou ontem improcedente a representação protocolada pela ONG Moral contra o Ministério Público Estadual (MPE) por suposta inércia diante do processo sobre irregularidades na construção do Fórum de Cuiabá. O voto da relatora do processo, conselheira Cláudia de Freitas Chagas, foi acatado por unanimidade pelo Pleno, composto por 14 conselheiros. Em sua fundamentação, a conselheira observou que o Ministério Público Estadual recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Tribunal de Justiça de impedir o avanço das investigações sobre as supostas irregularidades. Com a decisão do TJ, Cláudia de Freitas Chagas argumentou que houve trancamento do inquérito civil que tramitava na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, impedindo o prosseguimento das investigações. Na representação, protocolada no início do ano, a ONG alega que o MPE não teria tomado nenhuma providência para acionar os responsáveis pelas irregularidades “fazendo prescrever o prazo de distribuição de ação civil pública”. As denúncias chegaram a ser apuradas pela Corregedoria do Tribunal de Justiça. De acordo com relatório de investigação criminal feita pelo então corregedor-geral, desembargador Orlando Perri, “há fortes indícios” de desvios de verbas e materiais na construção do Fórum, favorecimento em licitação e tráfico de influência envolvendo magistrados. Segundo o relatório, o grupo atuou no “esquema” seria o mesmo aposentado pelo Conselho Nacional de Justiça sob acusação de desvio de verba pública para uma cooperativa de crédito ligada à Maçonaria. As investigações apontam a possibilidade de que o material supostamente desviado do Fórum tenha sido utilizado para a construção de um templo maçônico na Capital. Segundo a representação da ong Moral, o Fórum de Cuiabá foi construído durante a gestão do ex-presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador aposentado José Ferreira Leite, ao custo de R$ 60 milhões. Supostas irregularidades como mais de 200 títulos protestados, além de dois pedidos de falência contra a empresa vencedora da licitação levaram o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Mato Grosso (Sinduscom) a procurar o MPE. Em 2008, o então desembargador José Ferreira Leite e juiz Marcelo Souza Barros conseguiram mandado de segurança no TJ que mandou arquivar inquérito civil aberto pelo MPE para apurar as denúncias. Em entrevista ao Diário, o procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, alega que os elementos probatórios que a promotoria possuía eram insuficientes para sustentar uma ação civil pública.

Edição EDIÇÃO 16965




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