O episódio do vereador Lutero Ponce (PMDB) acusado de desviar R$ 7,5 milhões dos cofres da Câmara Municipal de Cuiabá no biênio 2007/2008 não levará a Comissão de Ética do Legislativo abandonar o processo disciplinar que pode custar o mandato do vereador Ralf Leite (PRTB). O relator do processo, vereador Domingos Sávio (PMDB), garante que emitirá parecer antes mesmo do recesso parlamentar. O parecer será emitido em conjunto após uma reunião que será feita com outros dois membros e antes das férias, revela. O recesso parlamentar começa no dia 17 deste mês e as atividades serão retomadas somente no dia 1º de agosto. A Comissão de Ética da Câmara Municipal é composta pelos vereadores Everton Pop (PP), Domingos Sávio (relator) e Adevair Cabral (membro titular). O processo disciplinar contra o vereador Ralf Leite foi instaurado logo após a prisão na madrugada do dia 6 de fevereiro quando dois policiais militares detiveram o parlamentar em flagrante em companhia de um travesti menor de idade. A detenção ocorreu na região do Zero Quilômetro, conhecida zona de prostituição e tráfico de drogas de Várzea Grande. Pesa a acusação de usar o cargo de vereador para intimidar policiais militares e até mesmo a tentativa de suborná-los para se livrar da prisão em flagrante, o que implica em quebra de decoro parlamentar. Se emitido parecer favorável, a proposta será enviada à Mesa Diretora a quem cabe levar ao plenário o pedido de cassação. Para a perda do mandato é necessário o voto de 10 dos 19 parlamentares, o que significa maioria simples. O andamento do processo disciplinar travou um forte embate jurídico da defesa de Ralf Leite com a Comissão de Ética da Câmara Municipal. Sem leis próprias para tratar de decoro parlamentar, o parlamento cuiabano seguiu as normas do Código de Ética da Assembleia Legislativa. A decisão gerou várias discussões e alegando cerceamento de defesa, Ralf Leite conseguiu impedir o andamento do processo graças a uma liminar expedida pela Justiça. Entretanto, logo depois o Tribunal de Justiça (TJ) reconheceu a legitimidade das investigações e assegurou o andamento do processo. Vereador de primeiro mandato, Ralf Leite votou contra a instauração da Comissão Processante que iria investigar o vereador Lutero Ponce após auditoria interna revelar rombo de R$ 3,5 milhões. Nos bastidores, comenta-se que seria uma estratégia para reunir o grupo de Lutero Ponce a seu favor diante da possibilidade de um pedido de cassação de seu mandato for levado ao plenário.