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Sábado, 19 de Abril de 2008, 16h:11
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ENTREVISTA
Cargo legislativo não mais atrai Pivetta
Deputado estadual, que se coloca como voluntário do governo na questão ambiental, alerta dirigentes municipais do PDT sobre composições
SONIA FIORI
Da Reportagem
Em meio às dificuldades enfrentadas pelo Estado na questão ambiental, o deputado estadual Otaviano Pivetta (PDT) apresentou o Programa de Regularização Ambiental e Agrária, denominado de MT Legal, que tramita na Assembléia Legislativa com o respaldo da maioria da Casa. Paralelamente, Pivetta, que integra o bloco independente no Legislativo, se colocou à disposição do governo, como voluntário, no intuito de colaborar com a atual administração nesta questão. Proposta idêntica ao MT Legal foi consolidada no município de Lucas do Rio Verde, onde Pivetta foi prefeito por duas vezes consecutivas, que mereceu destaque na última edição da revista Exame. Na prática, o programa prevê a construção de um mapeamento sobre os passivos ambientais com o propósito de agrupar apoio para reverter o quadro no Estado. A intenção vai de encontro à meta do governador Blairo Maggi (PR) de mudar a imagem negativa do Estado em relação às agressões ambientais e mais especificamente aos índices polêmicos de desmatamento. Para Pivetta, o fato de integrar o bloco independente não significa ser oposição. Ele conta que o seu mandato é voltado para o desenvolvimento do Estado, sem amarras na obrigatoriedade de votar matérias firmadas em acordos. Em outra ponta, o nome do deputado começa a circular no meio político como uma das alternativas para disputar o governo do Estado em 2010. Nesse contexto, prefere ressaltar seu desprendimento em relação a cargos no legislativo. No entanto, destaca que ainda é cedo para discutir o futuro político. Apesar disso, admite pensar na possibilidade de retornar ao Executivo. Líder estadual do PDT, Pivetta reitera o crescimento da legenda em Mato Grosso e o objetivo de alicerçar projetos próprios para 2008. Nas eleições municipais, o partido se firma como aliado do Bloco de Esquerda, coordenado no Estado pelo deputado federal Valtenir Pereira (PSB), pré-candidato à prefeitura de Cuiabá. Nesta entrevista ao Diário, Otaviano manda um recado para as direções municipais da sigla: não permitirá negociações políticas que possam ferir os ideais do PDT. Diário de Cuiabá - Qual o principal objetivo do projeto MT Legal? Otaviano Pivetta - É identificar onde está e de que tamanho é o problema ambiental de Mato Grosso. Diário - Como o senhor analisa essa imagem de Mato Grosso frente às questões ambientais e o empenho do governador para tentar reverter esse processo? Pivetta - Bom, tem dois aspectos relevantes a se considerar. Um que é a hora de Mato Grosso, porque é o único estado da Federação que está tendo expansão na atividade agrícola. E a outra questão é que foi escolhido Mato Grosso como o Estado de desmatamento e criou-se um emblema. Nós precisamos saber reagir a isso. Saber não só nos defender, mas implementar ações concretas que tenham visibilidade para nós começarmos a reverter essa situação. Diário - O senhor acredita nos dados que o governador apresenta sobre o desmatamento no Estado e que se chocam com as informações do Inpe? Pivetta - Acredito. A questão é que nós estamos contra uma onda muito forte. É uma onda de pensamentos contra Mato Grosso e não está disposta a ouvir explicação nem a ouvir contestação. É muito forte, é o mundo contra nossa posição. Precisamos refletir e nos organizar internamente, primeiro como falei para conhecer onde está e qual o tamanho é o passivo. Vamos ver quem é que vai ajudar na empreitada de corrigir esse passivo e vamos ver qual o futuro que queremos para Mato Grosso. Devemos fazer isso baseado na capacidade de concatenar o pensamento da sociedade, daí a necessidade de usar a estrutura do MT Regional. O Estado deve interiorizar sua presença para ouvir lá na base a história de cada região, qual sua vocação, o que fez errado e por que fez, já que houve períodos em que não era crime e hoje é. Então, temos que entrar num entendimento e fazer um pacto, primeiro entre nós e os municípios para depois fechar essa idéia com a União e com o mundo, que hoje observa atentamente tudo o que se faz aqui. Diário - Como está a situação econômica dos municípios ligados a essa questão. O impacto é muito forte? Pivetta - Depende do setor. Na indústria madeireira, o impacto é notadamente muito violento. No setor agrícola não, porque não temos dificuldade de vender os produtos produzidos como a soja, o milho, o arroz e o algodão. Muitos produtores já estão organizados, com certificação, com programas de qualidade na propriedade que permitem a compartimentalizar o seu interesse. O que nós precisamos é globalizar isso na nação mato-grossense para que Mato Grosso seja blindado, seja um Estado legal, que convença o mundo e que não cometa arbitrariedade contra o meio ambiente. Diário - Quando o senhor apresenta essa proposta, se torna um aliado do governo do Estado? Pivetta - Eu sou aliado do estado de Mato Grosso. Encontrei aqui um lugar que me recepcionou muito bem e que me permitiu desenvolver todos os meus sonhos. O que eu me proponho a fazer é um serviço voluntário para o estado de Mato Grosso e não tenho nada contra o governo. Diário - o senhor faz parte do bloco independente na Assembléia Legislativa. O que significa ser independente no Poder deputado? Pivetta - É não ter compromisso nem de aprovar nem de reprovar, nem de ser contra nem de ser a favor. É de analisar com frieza e tomar uma posição independente, porque não há interesse nem de participar do governo nem de ser falastrão e ficar contra só porque é contra. Eu acho que precisamos nos aliar ao Estado e cada um de nós fazer o que é possível fazer para melhorar o meio em que nós vivemos. Diário - Pensa em se afastar do Legislativo para abrir vaga para o ex-secretário estadual de Segurança Pública, Carlos Brito? Pivetta - Não. Não foi cogitado. Eu conversei algumas vezes com o Carlos Brito e não teria nenhuma dificuldade de ceder o mandato para o meu partido, o PDT. Não tenho nenhum apego ao mandato. Diário - Qual a meta do PDT para as próximas eleições? Pivetta - A meta é estimular os nossos pré-candidatos, que são 44, a serem candidatos e a ganharem as eleições. Diário - Acredita que o partido está mais fortalecido no Estado depois que o senhor assumiu a direção estadual? Pivetta - Os números indicam que sim, de projetos próprios e de filiados. Diário - Como avalia a questão das alianças? O PDT trabalha com restrições ou os diretórios municipais terão total autonomia? Pivetta - Terão total autonomia, desde que a negociação seja feita à luz do sol. O partido não é para ser comercializado. Diário - Já ocorreu isso no partido? Pivetta - Não sei, é a primeira eleição que vou acompanhar como dirigente partidário. Diário - Isso significa que o diretório regional terá uma parcela de responsabilidade nessa decisão? Pivetta - Nós temos um comitê eleitoral e vamos estar atentos aos acontecimentos. Se todos se comportarem conforme a orientação partidária, não haverá nenhum tipo de intervenção. Diário - O senhor faz parte do Bloco de Esquerda no Estado, coordenado pelo deputado federal Valtenir Pereira. Isso já está organizado? Pivetta - Está sendo construído. Eu vejo o deputado Valtenir se esforçando muito, usando muito a capacidade política que ele tem. Mas eu torço para que nosso partido se alie à proposta, que é o Valtenir como candidato em Cuiabá, mas não vou impor isso. Já está definido o jogo, foi feito um compromisso solene de como se dará a escolha, já que o PDT não tem candidato. Então, o PDT vai se aliar a quem apresentar e significar a melhor proposta para Cuiabá e também para o partido. Diário - Existe uma ligação bastante próxima do presidente do PDT de Cuiabá, Mário Márcio Torres, com o prefeito. O senhor teme que de alguma forma ocorra uma tendência por conta dessa relação de o partido vir a apoiar o prefeito? Pivetta - Olha, é uma possibilidade, e é muito natural o bom relacionamento que existe entre os dois. O diretório regional irá respeitar uma decisão nesse sentido se for definido pelos candidatos a vereador com o diretório, como eu falei, numa negociação à luz do sol. Diário - O Mário Márcio entende que essa decisão final cabe ao diretório? Pivetta - Nós acertamos e ele concordou de que seria tido duas conversas com os pré-candidatos a vereador e o diretório. Diário - O pleito de 2008 é um termômetro para todos os partidos. Hoje o PDT já avalia a possibilidade de lançar candidato ao governo do Estado? Pivetta - Não. Muita coisa tem por vir nesse período e fazer previsão de política é quase como fazer previsão de tempo. Diário - O senhor é o líder da legenda em Mato Grosso, então poderia disponibilizar seu nome para o partido para o projeto de 2010? Pivetta - Está muito cedo para falar também. É preciso analisar circunstâncias. Não tenho nenhuma obsessão em relação à minha participação na política. A prioridade para mim nesse momento é produzir alguma coisa agora. Estamos carentes e necessitados de muitas ações que beneficiem a sociedade. Preciso cumprir bem meu mandato. Preciso, se Deus quiser, ter um bom desempenho à frente desse novo comitê de trabalho que vai implantar o programa Mato Grosso Legal. Por enquanto, é isso. Diário - Não fechou seu projeto político? Pivetta - Não. A única coisa que sei é que não serei mais candidato a nenhum cargo no Legislativo. Diário - De onde vem o desprendimento, deputado? Pivetta - Da minha convicção de que não tenho grandes coisas para oferecer como legislador, nem na Assembléia, nem na Câmara de Deputados e nem no Senado. Diário - E no Executivo, poderia pensar? Pivetta - É uma possibilidade, mas tem muita gente boa se preparando e o PDT vai analisar. Eu pretendo, como dirigente partidário, construir uma alternativa para o PDT se oferecer para a sociedade. Se isso não for possível, nós vamos procurar nos aliar à melhor proposta também lá na época. Diário - Como avalia temas polêmicos como a Reforma Política? A resolução do Tribunal Superior Eleitoral sobre fidelidade partidária, concorda? Pivetta - Concordo não só com essa norma, mas também com voto distrital. Diário - E o financiamento público de campanha? Pivetta - Não concordo, porque na minha opinião quem se dispuser a ser candidato tem que ser doador. A gente não é obrigado a ser candidato, tem o direito de ser. Mas a pessoa para ser candidata precisa ter disposição de doar. Doar que eu digo é seu tempo, seu trabalho, sua dedicação, sua inteligência, enfim, doar tudo. Então, quem quer servir à sociedade tem que ter essa disposição, e o dinheiro público deve ser canalizado para sua finalidade, que são prioritariamente educação, saúde, segurança, infra-estrutura e por aí vai. Diário - O senhor já chegou a se considerar oposição, deputado? Pivetta - Não, nunca me considerei. Eu votei no Blairo Maggi em duas eleições. Fui o idealizador e companheiro de primeira hora em 2002 e nessa de 2006. Como fui candidato a estadual por um partido que não conseguiu se coligar com ninguém, que é o PDT, fiz minha campanha sozinha, solitária, não tive muito entusiasmo para pedir voto para ele (Maggi), mas pedi discretamente e votei nele, todo mundo sabe disso. Gosto dele como pessoa, admiro o homem que é e a humildade que tem. Diário - Perspectivas de trabalho dentro da Assembléia... Pivetta - Estou em pé e às ordens. Se for nomeado, se for eu o indicado da Assembléia para compor o comitê de gestão do programa MT Legal, farei isso com todas as minhas forças, ocupando toda a minha capacidade.