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Segunda-feira, 08 de Outubro de 2012, 02h:18

ANÁLISE

Campanha foi pobre em propostas

RENATA NEVES
Da Reportagem
A campanha eleitoral realizada pelos candidatos a prefeito de Cuiabá foi “pobre”, sem apresentação de propostas para os cidadãos. Esta é a avaliação dos cientistas políticos João Edison de Souza e Louremberg Alves. Para João Edisom, as equipes de marketing dos candidatos deixaram a desejar quanto às estratégias. Nem mesmo a de Lúdio Cabral, que registrou expressivo crescimento durante o processo, acertou 100%, em sua avaliação. “Mesmo assim, ele [Lúdio] não apresentou nada de diferente dos demais. Sua campanha não foi propositiva, e sim personalista, focada na imagem do bom moço, do rapaz educado e sensível. Foi exatamente em cima disso que outros valores foram agregados, como a questão do alinhamento político e o fato dele ter sido um vereador combativo”. Outro ponto positivo registrado pela campanha do petista, segundo ele, foi a não utilização de cavaletes e santinhos. Em sua avaliação, o candidato também foi o que melhor utilizou as redes sociais, espaço importante para divulgação de ideias. Ainda conforme Edisom, outro fato importante no processo foi que todos os candidatos que atacaram os adversários registraram queda em proporções superiores às apresentadas em outras eleições. “A população não aceita mais esse tipo de estratégia. Quando o Mauro Mendes partiu para o ataque, assim como os demais, também começou a cair nas pesquisas”. Louremberg Alves compartilha da mesma opinião de Edisom no que diz respeito à ausência de apresentação de propostas. “A campanha não foi boa. Os candidatos não trouxeram para dentro do debate os problemas mais concernentes à Capital, como a organização da cidade para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014”, ressalta. Em sua avaliação, as ideias apresentadas pelos candidatos foram basicamente as mesmas e que faltou às suas equipes trazer para o debate temas importantes para o município. “Essas discussões seriam mais aproveitadas do que as referentes à legalização do aborto e das drogas”, ressaltou. Para ele, o discurso de alinhamento com os governos estadual e federal, duramente criticado pelos adversários, não foi o responsável pelo considerável crescimento registrado por Lúdio. ”No principal foi a construção da imagem de bom moço. E na construção dessa imagem, ele aproveitou os erros dos adversários. Não foi o discurso de alinhamento que fez o Lúdio crescer, e sim os erros cometidos por Mendes”. De todos os postulantes ao cargo, o socialista foi o que mais errou, na visão de Louremberg. Seguindo esta linha de raciocínio, o primeiro erro cometido por Mendes teria sido quando ele questionou a validade da candidatura do candidato a vice de Lúdio, advogado Francisco Faiad (PMDB). Outro fator que teria contribuído para a queda de Mendes, conforme o cientista político, foi a imagem trabalhada por ele de “empresário de sucesso”. “O Blairo também é um empresário de sucesso, mas em nenhum momento ele ressaltou isso em sua campanha. Ao contrário, ele veio em 2002 com uma música popular que atraiu a atenção das crianças e dos adultos, passando a imagem de pessoa humilde”, compara.

Edição EDIÇÃO 16961




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