Primeira Página
Sábado, 28 de Agosto de 2010, 13h:17
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NOVO ESCÂNDALO
Câmara se volta a interesses próprios
Mais uma vez, vereadores da Capital protagonizaram um imbróglio com denúncias de compra de voto para eleição da nova mesa diretora
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Só nesta legislatura a Câmara Municipal de Cuiabá cassou dois de seus vereadores, passou por outra CPI que não resultou em nada e, vira e mexe, os vereadores estão discutindo por questões políticas, e não para a sociedade. O cientista político João Edisom de Souza entende que a Câmara passou o ano voltada para o próprio umbigo e se esqueceu do seu papel. Esta semana mais um escândalo veio à tona com a troca de acusações entre vereadores de compra de voto para eleição da mesa diretora, que acabou não acontecendo na quarta-feira por conta das denúncias, e que virou mais um caso de polícia. O vereador Ralf Leite (PRTB) foi cassado, há um ano, depois de ser flagrado com um travesti menor de idade nos arredores do Posto Zero, em Várzea Grande e ter supostamente usado sua condição de vereador para pressionar os policias militares. Lutero Ponce (PMDB) foi cassado, acusado de desviar R$ 6,3 milhões da Câmara enquanto era presidente da Casa, nos anos de 2007 e 2008. Para João Edisom, esses atos ditos moralizantes poderiam ter sido o marco de uma interrupção de uma cultura de impunidade para atos considerados condenáveis, porém isso não aconteceu, pois outras atitudes condenáveis continuaram acontecendo. Dessa vez os vereadores se veem às voltas com a eleição da nova mesa diretora, que esta marcada novamente para quarta-feira. Troca de acusações, suspeita de compra de voto e muita articulação nos bastidores que a sociedade jamais vai saber. O vereador que ganha a presidência da Casa ganha também mais representatividade, controla o prioridade dos projetos de lei e ainda controla um orçamento de R$ 20 milhões por ano. É muito dinheiro apenas para uma Casa. Enquanto isso a prefeitura tem que atender os problemas de toda a cidade. A Câmara é rica e a prefeitura é pobre, não é uma loucura esse sistema?, questiona João Edisom. Ele analisa que o vereador está no Legislativo para atender grupos políticos. No caso da eleição municipal a primeira coisa que o prefeito faz é tentar colocar o maior número de vereadores da base aliada na Câmara para servir de suporte. Ele explica que o vereador é sempre ligado a um grupo político ou econômico. Ele precisa disso para se eleger e depois tem que atender esse grupo. Depois de uma eleição, no outro dia já começa a se trabalhar para a próxima disputa. E para isso é preciso dinheiro. O Legislativo vive de escambo, acusa João Edisom. Prova disso é que os vereadores não cumpriram uma das funções primordiais do cargo: fiscalizar o Executivo. Tivemos problemas com o PAC e na saúde, mas os vereadores não fiscalizaram por conveniência, pois a maioria era da base aliada, disse o professor. Outra inoperância apontada aos parlamentares municipais é a falta de cobrança junto ao governo estadual. O governo era oposição à prefeitura, mas por isso não deveria fechar os olhos para a Capital e com isso punir a sociedade cuiabana. Os vereadores nada fizeram quanto a isso também, por que não foram bater à porta do governo?. A solução para acabar com os vícios do Legislativo seria acabar com a reeleição. O vereador ou o deputado não teria que pensar em dinheiro para se reeleger, não seria obrigado a ficar preso a grupos políticos e a candidatura em favor da sociedade seria mais verdadeira. Mas isso teria que ser aprovado pelos próprios políticos e isso, claro, eles nunca vão fazer, constata o professor.