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Quinta-feira, 03 de Novembro de 2011, 20h:59
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COORDENADOR DA FUNAI
Cacique tacha de covarde exoneração
FERNANDO DUARTE
Da Reportagem
Líder da etnia Caiapó, o ex-coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Colíder (distante 650 quilômetros de Cuiabá), Megaron Txucarramãe, tachou de covarde sua exoneração do cargo. Ele acredita que a decisão foi política e criticou a forma como ficou sabendo do ato, pelo Diário Oficial da União (DOU) do dia 31 de outubro. Coordenador há 16 anos, desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Megaron, e seu tio Raoni, são símbolos da crítica indígena às ações dos chamados brancos, em defesa do meio ambiente e da cultura local. O presidente [da Funai] não me comunicou nada. Foi covardia o que foi feito. O diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Fundação Nacional do Índio resolve exonerar o servidor Megaron Txucarramae do cargo em comissão de coordenador regional, da Coordenação Regional de Colíder-MT, foi destacado no DOU. Megaron afirmou que Raoni pediu para que a exoneração fosse revogada e ainda aguarda uma decisão. De qualquer forma, segundo ele, a luta irá continuar mesmo não estando na chefia do órgão. Ele destacou que não fez nada que motivasse a exoneração. Teve uma manifestação dos caiabis, em que prenderam uns funcionários da Funai, mas eu não participei. Também teve uma ocupação do canteiro de obras da [Hidrelétrica] Belo Monte e eu também não estive lá. Para mim, tudo isso é perseguição política. Ele querem colocar um homem branco no meu lugar. Desde que a construção da Belo Monte foi cogitada, Megaron e Raoni, principalmente, se opuseram a ela. Por terem um grande destaque internacionalmente, praticamente todos os atos tinham repercussão estrangeira. Na opinião dos indígenas, a construção do empreendimento irá trazer desequilíbrio ao meio ambiente, e justificam isso com a redução da quantidade de peixes nos rios. Questionada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Funai informou que a presidência do órgão não irá se pronunciar sobre a exoneração ou as declarações de Megaron. A portaria anunciando a demissão foi assinada dia 28 de outubro.