Gilmar Mendes não acredita que o ingresso de membros do meio jurídico na disputa eleitoral tenha politizado o Poder Judiciário. Ele desconsidera que a entrada de promotores, delegados e advogados na política influencie os tribunais. Destaca que não é expressivo o número de magistrados que deixam a toga para a disputa eleitoral. No Brasil, dois juízes estão concorrendo às eleições. São eles: Flávio Dino (PCdoB) que era juiz federal, mas já havia deixado o cargo há algum tempo e agora concorre ao governo do Maranhão, e a ex-ministra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon (PSB), que busca o Senado pelo estado da Bahia. Em Mato Grosso, o juiz federal Julier Sebastião da Silva (PMDB) deixou a magistratura para disputar a eleição, mas acabou sendo preterido por Lúdio Cabral (PT), candidato ao governo. "Este número não é tão expressivo. No meio que conheço saem mais promotores do que juízes. Ao longo da história, tínhamos no passado uma bancada de promotores no Congresso Nacional, antes da lei que exigisse seu afastamento da Justiça. Não vejo nada de significativo. Quantos ex-juízes, quem temos como candidato nesta eleição? Que eu conheço, são dois: Flavio Dino, que se afastou da Justiça Federal já há muito tempo, tornou-se deputado federal e agora é candidato ao governo no Maranhão, e a ministra Eliana Calmon, já depois da aposentadoria, praticamente atingindo a compulsória. Não acredito neste risco. Acho que em todas as searas humanas vamos encontrar pessoas que também se julgam vocacionadas para a política", afirmou. Apesar de defender o Poder Judiciário, Gilmar Mendes criticou a postura do Ministério Público em se deixar influenciar por divergências políticas. (AM)