Primeira Página
Sábado, 02 de Outubro de 2010, 19h:17
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FORÇA DAS ALIANÇAS
Atenção na escolha dos proporcionais
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Ao escolher candidatos a deputado federal e estadual, o cidadão deve estar atento ao fato de que o seu voto pode dar uma vaga a alguém que não é de sua simpatia. O alerta é do cientista político João Edisom de Souza. Diferente do que ocorre nas disputas para presidente da República, governadores e senadores, nem sempre o candidato proporcional mais votado ganha a eleição. O motivo são os cálculos previstos pela Legislação Eleitoral o chamado quociente eleitoral. Para efetuar o cálculo, o número total de votos válidos excluídos os brancos e nulos é dividido pelo total de vagas que o Estado possui na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. A soma dos votos dados a todos os candidatos dos partidos coligados dará mais chance a esses políticos de serem eleitos do que no caso de um candidato que disputa só por um partido. De acordo com João Edisom, é por conta desse cálculo que as coligações partidárias ganham importância nas eleições. Quanto maior o número de partidos coligados, maior a chance de eles terem representatividade. A maioria das pessoas, no entanto, escolhe seus candidatos sem identificá-los com algum partido ou coligação, explica o cientista político. A estimativa é de que, para eleger um deputado estadual, cada coligação deverá fazer 67 mil votos, enquanto precisará de 192 mil votos para eleger um deputado federal. O candidato que atingir o número mínimo necessário para sua eleição acaba transferindo a outros a sobra dos votos recebidos. O cientista político João Edisom exemplifica. Na eleição passada, os candidatos a deputado estadual mais bem votados foram José Riva (PP), com 82.799 votos, e Walter Rabello (então PMDB), com 70.646. Com esses votos, o candidato progressista ajudou a eleger Campos Neto (PP), que obteve 23.248 votos; Airton Português (PP), 20.784; e Maksuês Leite (PP), com 15.138. Já o peemedebista contribuiu para a eleição de Zé Carlos do Pátio (PMDB), que conquistou 42.227 votos; Daltinho (PMDB), com 26.133; e Juarez Costa (PMDB), com 24.631. O mesmo desempenho ajuda os suplentes. Com a saída de Pátio e Juarez Costa do parlamento, seus suplentes assumiram os cargos mesmo apresentando número de voto inferior ao de outras coligações. Enquanto Hermínio Barreto (PR), com 23.525 votos, ganhou a vaga de Juarez, Antônio Brito (PMDB), com 7.460 votos, ocupou a cadeira de Zé do Pátio que conquistou aproximadamente cinco vezes mais votos que o suplente. Mas não são apenas os puxadores de voto que ajudam as coligações. Um único voto de candidato proporcional contribui na contagem total. O exemplo emblemático foi o do atual prefeito da Capital, Chico Galindo (PTB), que foi eleito pela coligação (PTB/PTN/PAN/PRTB/PMN/ PTC/PSB/PV) com apenas 11.329 votos. O petebista assumiu a cadeira no parlamento mesmo com quase um terço dos votos do candidato Carlos Brito (PR), que ficou como suplente com mais de 30 mil votos. Mais tarde, com a saída de Galindo para disputar a prefeitura da Capital, a deputada Vilma Moreira (PSB) assumiu a vaga com apenas 5.239. A socialista tenta reeleição. Com base nos exemplos, João Edisom explica que o eleitor, quando votar em determinado candidato, deve ter ciência de que pode estar beneficiando outro. O voto proporcional é mais importante para o partido do que para o candidato. Antes de votar em alguém, o eleitor precisa estar disposto a eleger determinado grupo político, concluiu.