Após escândalos, petistas buscam nova imagem e rumo
Serys e Abicalil compartilham a visão de que as reações positivas de petistas ao PED tornam o novo processo de eleição um marco na história do Partido dos Trabalhadores. Após escândalos nacionais que atingiram frontalmente a legenda e o governo Lula em 2005, o aumento no número de filiados nos últimos dois anos e a preparação para a votação demonstram um PT forte, conforme apontam os líderes regionais. "Isso mostra que apesar de tudo o PT não precisou trocar de nome, não trocou a penugem da ave. O partido continua PT, se construindo mais forte que nunca", lança a senadora Serys, numa clara alusão aos inimigos históricos do partido. Em todo o Brasil, a estimativa é que o número de filiados da legenda saltou de 800 mil no auge da crise para os atuais 1,5 milhão de pessoas. Apesar da exaltação do PED, ambos evitam o clima de "já ganhou" no discurso. Eles posicionam que o termômetro indica um equilíbrio de forças e que o resultado ainda é incerto. Em algumas alas do PT, crê-se que o quadro de votos os direcionará ao segundo turno, programado para o dia 16 nas cidades e Estados onde o candidato com maior número de votos não atingir a maioria simples - 50% mais 1. "A participação ampla de filiados é o maior êxito deste PED e cabe aos candidatos aguardar o resultado", assinala Abicalil. Ele declara que a disputa não compromete a relação mantida com a correligionária e colega de Congresso Nacional, cujo dia-a-dia interpessoal é definido como "fraterno". "Temos uma relação muito fraterna. Há um diálogo firme, mas muito cortês. Isso não atrapalha em nada", afirma, ao lembrar que o embate de idéias no PT é tido como algo absolutamente normal no partido. (JS)