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Quarta-feira, 03 de Março de 2010, 22h:27

INVESTIGAÇÕES

Após 60 dias, CPI da Unemat sai do papel

O deputado Percival Muniz (PPS), como autor do requerimento da criação da Comissão, assegurou a presidência da CPI e conduzirá os trabalhos

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Passados mais de dois meses da criação da CPI da Unemat, finalmente ontem ela foi instalada, os cargos foram definidos e quatro requerimentos com pedido de informações à secretaria de Administração e de Fazenda do Estado e à reitoria da Universidade já foram aprovados. Tendo como estopim o cancelamento do concurso público do governo do Estado, realizado no dia 22 de novembro do ano passado, a CPI que vai investigar irregularidades na Universidade Estadual de Mato Grosso, na gestão do reitor Taisir Karim, ainda não tinha saído do papel. O deputado Percival Muniz (PPS), como autor do requerimento da criação da Comissão, assegurou a presidência da CPI e conduzirá os trabalhos. O deputado José Domingos Fraga ficou como o vice-presidente e Airton Português (PP) assumiu o posto de relator. Adalto de Freitas (PMDB), o Daltinho, e Hermínio Barreto (PR) também são membros da Comissão. Como este é um ano eleitoral, os trabalhos prometem ser polêmicos. Conhecido por não dizer nada em meias-palavras, ele trabalha numa candidatura oposicionista ao governo. O socialista, junto com PDT e PSB, planeja ter o empresário Mauro Mendes como candidato ao governo do Estado. Dependendo das investigações, o resultado da CPI pode servir de arma eleitoral contra o atual governo, que tem o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) como candidato do grupo situacionista. O deputado Alexandre César também participou da reunião ontem e prometeu ajudar nos trabalhos. Na época da criação da CPI, ele pleiteou um cargo no grupo, mas não obteve êxito. Segundo o regimento interno da Assembleia, têm prioridade na participação de CPI os deputados dos partidos com maiores bancada no Legislativo. No caso, são PR, PP, PMDB e DEM. Percival, do PPS, só tem espaço porque foi o autor da proposta. Na reunião, ficou decidido que cada deputado vai buscar informações e visitar os campi da Unemat. Airton ficou responsável pela coleta de informações da Unemat em Cáceres; Domingos Fraga, na região norte; Barreto em Jaciara e Percival e Daltinho, na região do Araguaia. A Comissão ainda vai pedir a investigação da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Estadual (Faesp) pelo Tribunal de Contas do Estado, com a finalidade de apurar a gestão de recursos da instituição que recebe R$ 100 milhões por ano para custear os serviços de ensino, pesquisa e extensão. Não é a primeira vez que a gestão de Taisir é colocada em xeque pela Assembleia. No primeiro semestre deste ano o Legislativo já debateu sobre o assunto baseado em denúncias de irregularidades que partiram do Sindicato dos Professores. O concurso foi suspenso devido a irregularidades ocorridas na aplicação do exame e suspeita de vazamento da prova. A Unemat foi a responsável pela elaboração e aplicação das provas, contratada pela Secretaria de Administração do Governo (SAD). Anunciado como o maior concurso da história de Mato Grosso, 270 mil pessoas se inscreveram para concorrer a mais de 10 mil vagas no governo, a cargos diversos. Para evitar novos problemas, o governo dividiu o concurso em três etapas. As provas para cargos do ensino fundamental e médio já foram aplicadas, sem transtornos ou problemas. Para o dia 21 de março está marcada a aplicação das provas dos inscritos para cargos de nível superior.

Edição EDIÇÃO 16962




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