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Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:44

Analista mostra interesse de empresários na política

O analista político João Edisom de Souza destaca que o vínculo direto e evidente entre a riqueza e o poder embute ideais monárquicos camuflados sob o discurso de democracia. Para grande parte dos ricos que sobem ao poder, mesmo que de forma inconsciente, assumir um cargo público de visibilidade seria o ápice de domínio e prestígio. Isso explicaria, numa leitura geral, tamanho interesse que leva grandes empresários locais a se afastarem das rédeas de grandes empresas e fortunas pessoais e se sujeitar a salários mais baixos no Poder Executivo, seja como prefeitos ou governadores. “Essa é a busca por dominar gente. É a plenitude de duas atrações: ter dinheiro e o prazer em dominar. Aqui em Mato Grosso, no Brasil, e na América Latina em geral, os donos dos grandes capitais sempre são os grandes regentes. O pensamento, de uma forma geral, é o de dominar os demais. E dominar homens é sempre mais fácil com dinheiro que com idéias”, analisa o especialista. Historicamente, conforme destaca Souza, política e grandes fortunas são velhas irmãs no Brasil. Ele lembra que muito antes da existência de megaempresários do agronegócio, a política no Brasil era ditada pela quantia na ‘algibeira’ em plena Era da República. Numa cronologia histórica, são exemplos disso o poder do ‘coronelismo’ na primeira metade do século 20, a chamada República do Café com Leite, ditada por oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, e o Regime Militar. O analista político também lembra que, se o dinheiro abre as portas do poder, o inverso também ocorre em vários casos. “Grandes fortunas também são construídas em função do poder político. Porque, para se fazer fortunas, geralmente precisa-se de vínculos políticos. Temos aqueles que distribuem o poder entre os seus e depois colhem os louros por isso, inclusive membros das próprias esquerdas”, afirma. (JS)

Edição EDIÇÃO 16967




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