Primeira Página
Sábado, 22 de Setembro de 2012, 13h:29
A
A
GESTÃO FISCAL
Alinhamento não é prova de avanço
Pelo menos no que diz respeito a liquidez e custo da dívida, por exemplo, sintonia entre os entes não tem relação com qualidade
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
O alinhamento entre os governos federal, estadual e municipal, massificado como melhor alternativa para a Capital pelo candidato a prefeito Lúdio Cabral (PT), não é sinônimo de melhoria na gestão fiscal do município. A prova disso são os dados apresentados pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal entre os anos de 2006 e 2010, ou seja, os dois últimos anos do mandato anterior e os dois primeiros da gestão atual. Das 18 prefeituras comandadas pelo PT atualmente em Mato Grosso, e que estão alinhadas com os demais governos, apenas duas delas mostraram evolução considerável na gestão fiscal. A análise foi feita tomando como base o governo do PT na esfera federal com Lula e Dilma Rousseff - e com o Executivo estadual tendo os governadores Blairo Maggi do PR, partido que ocupou a Vice-presidência da República com o governo Lula - e Silval Barbosa (PMDB). Os 14 municípios com péssima gestão fiscal tiveram seus prefeitos eleitos em 2008. São cinco que não registraram avanços em sua gestão fiscal e permaneceram estagnados. Os prefeitos de General Carneiro e Novo Mundo, Juracy Resende da Cunha (PT) e Aurelino Pereira de Brito Filho (PT), respectivamente, assumiram a prefeitura com conceito C e mantiveram a média até 2010. Já os gestores de Juína, Altir Antônio Peruzzo (PT); São José dos Quatro Marcos, João Roberto Ferlin (PT); e Tabaporã, Edison Rosso (PT), mantiveram o conceito B conquistado pelos gestores anteriores. Outras seis cidades geridas por petistas apresentaram queda. Alto Araguaia, Cocalinho, Comodoro, Jangada, Nova Brasilândia e Nova Olímpia assumiram a prefeitura avaliada com conceito B e, em dois anos, decaíram para o C. Em Conquista DOeste e Mirassol, entretanto, foram registrados casos atípicos. No primeiro, o prefeito Jair Podavin Ferreira (PT) assumiu o Executivo com conceito B, decaiu para C no primeiro ano de gestão, contudo, recuperou a posição em 2010. Já em Mirassol, Aparecido Donizeti da Silva (PT) pegou a prefeitura analisada em conceito B e manteve a posição no primeiro ano de seu mandato, contudo desequilibrou e decaiu para o conceito C em 2010. Apenas o município de Ribeirão Cascalheira, que é comandado pelo petista Francisco de Assis dos Santos, não forneceu os dados ao Tesouro Nacional - que são as informações utilizadas pelo Firjan referentes aos anos de 2008 e 2009. Entretanto, em 2007 e em 2010 foi avaliado com o conceito D, ou seja, estava em situação crítica. Evolução - Das 18 prefeituras comandadas pelo PT, apenas duas apresentam evolução e com prefeitos reeleitos no pleito de 2008. Os municípios de Nova Guarita e Vila Bela da Santíssima Trindade, sob a administração de Antônio José Zanatta (PT) e Wagner Vicente da Silva (PT), respectivamente, saíram do conceito C, em 2006, para o conceito B, em 2010. Nova Guarita, por sua vez, chegou a atingir o conceito A em 2009, contudo não conseguiu mantê-lo. O setor que obteve maior avanço em Nova Guarita foi Liquidez, que sai do conceito D para o conceito A. Em Vila Bela foram Investimentos e Custo da Dívida, que também saíram do conceito B para o A. Outros dois municípios que são geridos por prefeitos petistas desde 2004, e que estão diretamente alinhados com o governo do Estado e o federal, apresentam gestão fiscal equilibrada segundo o índice Firjan. As cidades de Nova Ubiratã e Rio Branco possuem os prefeitos Osmar Rossetto (PT) e Antonio Milanezi (PT), respectivamente, há oito anos, no entanto não obtiveram avanços. De 2006 a 2010, os dois municípios foram avaliados com conceito B, apresentando, assim, uma estagnação no que diz respeito a receita própria, gastos com pessoal, investimentos, liquidez e custo da dívida.