Primeira Página
Terça-feira, 22 de Maio de 2012, 22h:12
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VESPEIRO
Acusado usou esposa, diz advogado
Em depoimento, Thais Mariano disse que repassou ao marido informações das contas bancárias dos pais, Carlota Jonizete Mariano e Agnelo Mariano Filho, que já se apresentaram à polícia
RENATA NEVES
Da Reportagem
Esposa de Edson Rodrigo Ferreira Gomes, ex-servidor terceirizado da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Thais Gonçalves Mariano admitiu que desconfiava da existência de provável esquema dentro da Pasta, mas disse que nunca obteve confirmação por parte do marido. Ela se apresentou à Delegacia Fazendária na tarde de ontem e prestou depoimento à delegada Cleibe Aparecida de Paula, que investiga a fraude que resultou no desvio que pode ultrapassar R$ 18 milhões da Conta Única do governo do Estado. Segundo o advogado Antônio Luiz de Deus Júnior, responsável pela defesa de Thais, a desconfiança dela foi motivo de diversas discussões entre o casal, mas em nenhum momento o ex-servidor confessou fazer parte do esquema. Ele dizia que precisava das contas bancárias para receber depósitos referentes a comissões por serviços extras realizados na secretaria, disse o advogado, que também responde pela defesa de Edson e dos demais membros de sua família incluídos no esquema. Atendendo ao pedido do marido, Thais repassou a ele informações das contas bancárias de seus pais, Carlota Jonizete Mariano e Agnelo Mariano Filho, que se apresentaram à polícia na última segunda-feira (21). Segundo Antônio, nenhum valor chegou a ser depositado na conta de Thais. Nas de seus pais, entretanto, foi movimentado R$ 1,3 milhão. Em depoimento, no início do mês, Edson confessou ter participação no esquema e informou que ficava com 20% dos valores depositados nas contas dos laranjas. Admitiu ainda ter acrescentado o nome de ao menos oito pessoas na lista de pagamentos a serem realizados por meio do sistema BBPAG. Apesar disso, Antônio Luiz de Deus garante que a família possui padrão simples de vida e não tem casa própria. Segundo ele, o casal tem dois carros financiados e o terreno onde se localiza o restaurante pelo qual são responsáveis é alugado. Os demais membros da família de Edson que tiveram as contas utilizadas negaram ter conhecimento do esquema. Na lista dos beneficiários cooptados por ele estão incluídos: seus pais, Vicente Ferreira Gomes e Albina Maria Auxiliadora Gomes; seu irmão, Gustavo Henrique Ferreira Gomes, em cuja conta foram depositados R$ 10 mil; seus sogros, Agnelo Mariano Filho e Carlota Donizete Mariano; sua cunhada, Vânia Teresinha Coelho, que recebeu R$ 344,7 mil; e seus amigos, Antônio de Oliveira Moraes, beneficiado com R$ 128,4 mil, Denis Hitoche de Deus e Nagafe de Oliveira Martins, que receberam R$ 262,3 mil; além de Paulinete Auxiliadora Neves e Tânia Regina, que trabalhou como empregada doméstica por cerca de dois anos na casa dos pais de Edson. Na conta de Tânia foram movimentados R$ 2,1 mil. A denúncia de que ela recebia recursos do Estado mesmo não pertencendo aos quadros de servidores da Secretaria de Fazenda foi recebida pelo governo em outubro do ano passado e, ao investigar o caso, a Auditoria Geral do Estado (AGE) descobriu que 32 pessoas estavam recebendo recursos de forma indevida.