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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008, 21h:13
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CARTA PRECATÓRIA
Acusado, Lino depõe em ação de peculato
Ex-deputado federal Lino Rossi foi ouvido ontem à tarde, em Cuiabá, pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O ex-deputado federal e apresentador de TV Lino Rossi prestou depoimento na tarde de ontem à Justiça Federal. Ele é acusado de participar de esquema de desvio de passagens aéreas e créditos em selos postais da Câmara Federal, prática enquadrada no crime de peculato. Em juízo, ele negou o envolvimento na fraude, mas admitiu que fornecia passagens da cota pessoal a familiares. O processo corre na Justiça Federal de Brasília e figura como mais um na lista de ações acumuladas por Lino Rossi. O ex-parlamentar ganhou destaque nacional ao ser apontado como grande articulador no esquema conhecido como a Máfia das Ambulâncias ou Caso Sanguessugas, baseado no desvio de recursos públicos na compra de ambulâncias a prefeituras espalhadas por vários pontos do país, especialmente em Mato Grosso. O depoimento foi conduzido pelo juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, por meio de carta precatória expedida pela Justiça Federal de Brasília. Investigações apontam o assessor parlamentar Marlon Melo de Araújo, réu na ação, como o grande articulador do esquema. Ele trabalhava no gabinete do então deputado federal Wilson Santos (PSDB), hoje prefeito de Cuiabá. Em 2004, o tucano cedeu a cadeira na Câmara a Rossi em meio à disputa à prefeitura da Capital. Rossi relatou que conheceu Marlon por intermédio de Wilson Santos e que o assessor permaneceu nas funções do gabinete. A fraude foi desbaratada quando Rossi estava em licença parlamentar, de 121 dias, período em que a cadeira foi ocupada pela suplente Taís Barbosa (PMDB). O ex-parlamentar sustenta que não tinha conhecimento de que Marlon vinha efetuando os desvios. Ele descreveu que só soube do esquema em reunião mantida com a deputada em exercício, na qual Taís Barbosa alertou para a descoberta de falsas assinaturas em requisições de passagens apresentadas a uma companhia aérea credenciada junto à Câmara Federal. Rossi detalhou que se deparou efetivamente com a prática ilícita ao reassumir o gabinete. Ao retirar a licença, ele havia colocado sob responsabilidade de Marlon Melo créditos no total de R$ 6 mil em passagens, lote desviado pelo assessor. Quando retornou às funções, o parlamentar teria descoberto que o funcionário usou os créditos. Indagado no depoimento, ele admitiu que passagens de sua cota pessoal como deputado eram destinadas a familiares, quando necessário. Rossi também pontuou que no período de licença, em acordo selado com a suplente, teve acesso a lote de passagens aéreas. Segundo Rossi, mesmo afastado, ele visitava o gabinete em Brasília semanalmente. Os bilhetes eram autorizados via chefia de gabinete. Lino Rossi ainda declarou em depoimento não conhecer o acusado José Reis Lima dos Santos e outro réu no processo judicial, Pedro Damião Pinto Rabelo.