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Quinta-feira, 05 de Março de 2009, 21h:34
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PASSAGENS AÉREAS
Abicalil tem nome citado em operação
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
O coordenador da bancada federal de Mato Grosso, deputado Carlos Abicalil (PT), está sendo acusado de financiar passagens aéreas a Marco Antônio Bogéa, ex-assessor do Senado que teria participação na montagem de um suposto esquema de corrupção montado no Governo Federal pelo empresário Fernando Sarney, filho do senador e presidente do Congresso Nacional José Sarney (PMDB-MA). As informações foram divulgadas ontem pelo site Congresso em Foco. A ligação do petista com Bogéa se deu devido às investigações da Operação Boi Barrica desencadeada pela Polícia Federal (PF). Segundo a PF, Bogéa levou uma mala de Brasília para São Paulo, no dia 19 de julho do ano passado, a pedido do empresário Fernando Sarney. A Câmara pagou a passagem, emitida nas cotas dos deputados Carlos Abicalil e Valadares Filho (PSB-SE). Os delegados responsáveis pelo caso apontam que houve uso indevido das cotas. O relatório da operação destaca que Astrogildo Quental, diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobrás, entregou a carga para Bogéa antes do embarque. Quental foi indicado para o cargo pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e foi secretário estadual de Infraestrutura do Maranhão no governo de Roseana Sarney. "Após contato com Astrogildo Quental, onde recebeu uma mala, cujo conteúdo não se pode determinar e, no dia seguinte, embarcou rumo a São Paulo, num voo da TAM, em estado visivelmente tenso, a fim de levar algo a pedido de Astrogildo", diz o relato dos delegados Márcio Adriano Anselmo e Thiago Monjardim Santos, ambos da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros da PF. O grupo que reúne Bogéa e Fernando Sarney é acusado de crimes contra o sistema financeiro, a administração pública, falsidade ideológica, fraude em licitação, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A falta de controle na venda de passagens aéreas da cota dos deputados está sendo alvo de um pedido de investigação encaminhado pelo Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, à Procuradoria Geral da República. O pedido se fundamenta numa denúncia de peculato e estelionato qualificado contra o ex-deputado federal por Mato Grosso Lino Rossi (PP), por conta de irregularidades e uso indevido deste benefício. Em nota de esclarecimento, Abicalil afirma que jamais teve contato com o Marco Antônio Bogéa, sendo, portanto, um cidadão desconhecido até o presente momento. O parlamentar alega ainda que o bilhete aéreo, em nome de Marco Antônio Bogéa, foi solicitado pelo gabinete do deputado Antônio Carlos Valadares Filho, e emitido sem sua autorização e conhecimento prévios. O petista ainda classificou de inaceitável a transferência de cotas áreas para outras finalidades senão as atividades parlamentares e completa informando que tão logo houve notícia da transferência de cota aérea tomou as devidas providências de forma a punir administrativamente o funcionário responsável.