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Segunda-feira, 09 de Julho de 2012, 21h:52

VEREADOR/CUIABÁ

57% dos candidatos não têm curso superior

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que um analfabeto foi registrado para o cargo e 30% possuem apenas o Ensino Médio

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Mais da metade dos candidatos a vereador de Cuiabá, o maior colégio eleitoral de Mato Grosso, não possui formação superior. Os dados, conforme a última atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se referem aos registros de candidatura de 57% dos 472 postulantes ao cargo. O TSE também mostra que em Cuiabá apenas 30% dos aspirantes a vereador possuem o Ensino Médio completo. Consta ainda o registro de candidatura de um analfabeto. Em todo o Estado, quatro analfabetos tiveram suas candidaturas registradas. Todos os registros, porém, ainda serão avaliados pela Justiça Eleitoral, que irá aprová-los ou reprová-los. Na avaliação do analista político João Edisom de Souza, os números revelam um cenário preocupante ao pleito eleitoral de Cuiabá, pois mostra que a maioria dos futuros representantes do povo no Legislativo municipal possui baixo grau de instrução. O que, segundo ele, é prejudicial pelo fato do conhecimento acadêmico ser fundamental. “Para que um vereador exerça bem a sua função, ele, primeiramente, precisa ter as reais condições para isso. A começar pelo nível de conhecimento. O cargo de vereador cobra muito do intelecto de quem o exerce, pois exige grande capacidade de leitura, estudo, interpretação e argumentação, além de atenção para fiscalizar os atos do prefeito”. Compete ao vereador criar leis para o município, modificar ou revogar àquelas já existentes, como também acompanhar e fiscalizar as decisões do chefe do Executivo municipal. João entende que o elevado grau de instrução não é garantia de boa gestão, mas que deveria ser encarado como pré-requisito para avaliação dos candidatos. Porém, não é assim que acontece. O caso clássico é o do operário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, mesmo sem ter formação superior, conseguiu se eleger presidente da República por dois mandatos e implementar importantes mudanças socioeconômicas no país. No entendimento do analista, o caso de Lula não pode ser considerado uma regra, pois o cargo de presidente permite uma gestão mais voltada à sensibilidade do que ao nível intelectual. “O presidente toma decisões importantes, o que vai muito da sensibilidade, não tem que, por exemplo, debruçar-se sobre leis e estudá-las a fundo. Isso é atribuição do Legislativo”. O prazo para os interessados em concorrer nas eleições municipais, seja para prefeito ou vereador, se encerra hoje, às 19 horas, conforme o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Edição EDIÇÃO 16961




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