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Primeira Página
Quarta-feira, 31 de Março de 2010, 23h:01

RETOMADA DO PODER

20 anos depois, PMDB comanda o Paiaguás

O deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) foi o último governador pelo partido, que por um longo período enfrentou disputas como coadjuvante

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Após quase 20 anos, o PMDB retoma o poder em Mato Grosso. Com um discurso de continuidade da gestão Blairo Maggi (PR), o governador Silval Barbosa (PMDB) foi empossado ontem pela Assembleia Legislativa em uma solenidade concorrida, com a presença de todos os deputados estaduais, da maioria da bancada federal, prefeitos, vereadores e, inclusive, do futuro adversário na campanha deste ano, prefeito Wilson Santos (PSDB). Após a cerimônia de posse, os convidados participaram do ato de transmissão de faixa do então governador Blairo Maggi para Silval, no Centro de Eventos do Pantanal. Numa sequencia de atos protocolares, os novos secretários foram empossados. Presidentes da Assembleia Legislativa, José Riva (PP), e do Tribunal de Justiça, José Silvério Gomes, além de representantes de órgãos auxiliares participaram da solenidade. O último peemedebista a governar o Estado foi o deputado federal Carlos Bezerra, entre os anos de 1987 e 1990. “Podem perguntar: qual será o futuro de Mato Grosso nas mãos de Silval Barbosa? E pedirei para que fiquem tranquilos porque, nesses anos como vice-governador, mergulhei de cabeça na administração pensando que esse momento que vivo hoje chegaria. Vou dar tudo de mim neste novo desafio”, afirmou Silval, emocionado. Ele garantiu que dará continuidade às políticas públicas iniciadas por Blairo, que deixa o cargo para trabalhar candidatura ao Senado. Filiado a um dos maiores partidos do Brasil, Silval terá a missão de chefiar o Poder Executivo estadual concomitantemente à campanha na qual tentará se reeleger. Sua posse no cargo também é vista como uma oportunidade de ascensão do PMDB no Estado que pretende aumentar o número da bancada na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e, também, eleger novos prefeitos, em 2012. No primeiro pronunciamento, o novo governador fez um resumo de seu histórico político para argumentar que estaria preparado para assumir o cargo. “Tenho uma trajetória que me habilita a ser governador. Principalmente como prefeito de uma cidade do interior pude conhecer as dificuldades do Executivo. Esse é um dos motivos pelo qual sempre defendi junto ao governador Blairo Maggi o fortalecimento do municipalismo”, disse Silval, complementando que o seu partido lhe deu total autonomia para formular um programa de governo e escolher seus secretários. Ele afirmou que pretende fazer uma administração transparente mantendo a harmonia do governo com bancada federal, Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Contas e segmentos organizados. Entre dezenas de elogios dirigidos ao ex-governador, Barbosa frisou que Blairo foi o “administrador que aboliu o sentimento divisionista” em Mato Grosso. Ele também admitiu que chegou a discordar do republicano. “Defendi a divisão no momento que regiões estavam carentes de políticas públicas. Maggi integrou Mato Grosso e fez esse sentimento acabar. Deixou o Estado nos trilhos do crescimento e, cabe a mim, manter esse que é o melhor momento de nossa economia”, discursou Silval, se esquivando de futuras críticas que certamente serão usadas pela oposição no debate eleitoral. Entusiasta da vinda da Copa do Mundo para o Estado, Silval acredita que, até 2014, todos os ramos da economia deverão desenvolver em decorrência dos jogos. Ele também pontuou que a gestão de Blairo Maggi foi marcada “não só pelo desenvolvimento da economia, mas também pelo cumprimento de compromissos estatais como o pagamento de dívidas na ordem de R$ 6,3 bilhões”, contraída de administrações passadas. “Vamos começar uma nova era em Mato Grosso”, prevê o novo governador.

Edição EDIÇÃO 16967




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