A Polícia Federal acredita que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentou "ludibriar o governo dos Estados Unidos para atingir seus objetivos criminosos".
A avaliacão está no relatório em que indiciou Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal por tentar obstruir o julgamento por tentativa de golpe de Estado no qual o ex-presidente é réu. Ou seja, mentiu para Trump.
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Em mensagem recuperada no celular de Jair, Eduardo enviou uma imagem afirmando: "torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump".
A imagem não pode ser recuperada pela PF, ou seja, não é possível saber sobre o que tratavam de fato.
O ex-presidente respondeu com uma mensagem de áudio, cujo conteúdo também não pode ser recuperado.
E encaminhou uma imagem de um trecho de uma entrevista à CNN, em que defendeu que o filho está certo.
O relatório concluiu que ambos atuaram em "unidade de desígnios", coordenando narrativas, discursos e publicações, inclusive em inglês, para enganar autoridades estrangeiras e coagir ministros do STF.
Para os investigadores, a estratégia tinha como fim último garantir a impunidade do ex-presidente no processo que apura a tentativa de golpe de Estado e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A Polícia Federal ressalta ainda que as ações dos investigados não só colocaram em risco a independência do Judiciário, mas também geraram impactos econômicos e diplomáticos significativos ao país.
"Constata-se portanto, que os investigados atuaram com consciência e vontade no intuito de convencer autoridades governamentais estrangeiras, induzindo-as em erro, para aplicar sanções contra o Estado Brasileiro e autoridades nacionais constituídas, de forma a satisfazer interesses pessoais ilícitos", registra o relatório.
A PF também aponta que o pastor Silas Malafaia, organizador de atos de protesto contra o STF e por anistia a golpistas, vem atuando "na definição de estratégias de coação e difusão de narrativas inverídicas, bem como no direcionamento de ações coordenadas que, em última instância, visam a coagir os membros da cúpula do Poder Judiciário, de modo a impedir que eventuais ações jurisdicionais proferidas no âmbito STF possam contrapor os interesses ilícitos do grupo criminoso".
QUEBRA-PAU ENTRE PAI E FILHO - Na mesma conversa citada acima, realizada na noite de 15 de julho, uma hora antes do "ludibriar", o deputado federal havia enviado um "VTNC seu ingrato do caralho" para Jair após ler uma entrevista que o ex-presidente concedeu ao portal Poder 360.
"Ele [Eduardo Bolsonaro] apesar de ter feito 40 anos de idade agora, né... Ele não é tão maduro assim, vamos assim dizer, talhado para a política... Tá bem. Ele acerta 90% das vezes, 9% quando meio e 1% está errando", disse nela.
As mensagens demonstram preocupação do deputado com as declarações sobre ele, que acalenta o sonho de ser candidato à Presidência da República em 2026.
Mas também o apoio que Jair vinha dando, na opinião de Eduardo, ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). E na forma como tudo isso refletiria em sua situação política nos Estados Unidos.
Segundo a PF, "o investigado temia que as declarações impactassem negativamente sua posição e suposta influência no exterior, podendo 'decretar o resto da sua vida' nos EUA. Aliás, ele se referiu de forma pejorativa ao país onde está, chamando-o de "nesta porra aqui".
As rusgas foram contornadas após Jair fazer declarações mais favoráveis ao filho em um pronunciamento.
No dia 16 de julho, Eduardo pediu desculpas: "Estava puto na hora". Pouco depois, publicou mensagem pacificando a relação com Tarcísio, numa tentativa de recompor a imagem pública.




