NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

POLÍTICA
Quarta-feira, 14 de Maio de 2025, 13h:15

ENTREVISTA AO "UOL"

Bolsonaro diz que conversou sobre estado de sítio com militares

Inelegível até 2030, ex-presidente disse acreditar em um milagre quanto a uma eventual condenação

Do UOL - Brasília e São Paulo
FolhaPress
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que acredita em um milagre quanto a uma eventual condenação

Em entrevista ao Canal UOL, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que conversou com comandantes militares sobre estado de sítio e reiterou que seu julgamento no STF seria político.

Inelegível até 2030, disse acreditar em um milagre quanto a uma eventual condenação.

Leia também:

Por unanimidade, STF derruba manobra que beneficiaria Bolsonaro

Entrevistado pelos jornalistas Carla Araújo e Josias de Souza, o ex-presidente admitiu conversa sobre Estado de sítio e de Defesa.

Bolsonaro disse que tratou sobre esses temas com comandantes militares após TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitar recursos do PL contestando a eleição.

Em 2022, o partido de Bolsonaro acionou o tribunal questionando as urnas eletrônicas no segundo turno.

Sem apresentar qualquer indício, o TSE negou o recurso e multou o Partido Liberal por litigância de má-fé.

Segundo Bolsonaro, o que restou foi "conversar com pessoas de confiança mais próximas".

"É o meu círculo de amizade, eu fui militar", disse.

O ex-presidente reafirmou que questionou o comando militar sobre quais seriam as possibilidades para ele "dentro das quatro linhas da Constituição".

"Aí está a resposta do comandante Freire Gomes [de possibilidade de estado de defesa e de sítio]. O que foi discutido: hipóteses de dispositivos condicionais. Algum problema nisso?".

O ex-presidente se tornou réu em março deste ano no STF por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.

"Acharam um pedaço de papel na casa dele [ex-ministro Anderson Torres]. Se eu fosse professor de Direito Constitucional, eu daria zero para ele [Moraes]", afirmou.

"O comandante da Marinha era o que menos falava. O que ele falava, de vez em quando, era dentro das quatro linhas. Por causa disso, ele estaria favorável a um ato antidemocrático? Outra coisa, você discutir hipótese de dispositivos constitucionais, isso é antidemocrático?", DISSE

Bolsonaro defendeu a tese de que julgamento no STF é político e que sua inelegibilidade poderia ocorrer "por jogar papel no chão".

O ex-presidente voltou a dizer que foi condenado "por duas ações": se reunir com embaixadores no Palácio da Alvorada e por fazer um discurso "no carro de som do (pastor) Silas Malafaia" após as comemorações do 7 de Setembro de 2022.

"Ou seja, é um julgamento político. Não justifica o que tá acontecendo"

O ex-presidente está inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Em uma das ações, Bolsonaro foi condenado por ter feito alegações falsas sobre o sistema eleitoral durante a reunião com embaixadores, transmitida pela TV Brasil, que é uma concessão pública.

Já no ato do 7 de Setembro, o TSE entendeu que como pré-candidato à reeleição, ele adotou discurso eleitoral.

"A vontade do povo se fará presente no próximo dia 2 de outubro. Vamos todos votar", disse Bolsonaro, na ocasião.

Bolsonaro também criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes e a condução do relator na ação sobre a trama golpista.

"Ele está ali comendo etapas para ver se o julgamento acontece em agosto, setembro. Se sou tão culpado assim, por que não seguir o devido processo legal?", questionou.

"A gente não ganha nenhuma contra o Alexandre de Moraes. Um recurso, por mais óbvio que seja... a gente não ganha nada", afirmou..

GOVERNADORES - Sem citar nomes, o ex-presidente também cobrou governadores de direita a se posicionarem contra a inelegibilidade.

"Gostaria, não posso obrigar, que os governadores falassem: 'Bolsonaro está inelegível por quê? Essas acusações valem?'", disse.

Entre os governadores ligados a Bolsonaro estão Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais), e Ratinho Jr (Paraná).

Bolsonaro afirmou que vai até o "último segundo" para conseguir lançar sua candidatura no próximo ano.

"Michel Temer até entrou nessa questão, é direito do Michel Temer, ninguém que entrou na política esquece", disse.

A declaração ocorre após o ex-presidente do MDB citar nomes presidenciáveis para 2026, mas sem incluir Bolsonaro.

O ex-presidente elogiou Tarcísio e Michelle, mas evitou dizer se apoiaria um deles em uma candidatura à Presidência.

Sobre o governador de São Paulo, Bolsonaro disse que tem uma "dívida de gratidão", mas que falta experiência.

Em relação à ex-primeira dama, ele afirmou que a esposa tem aparecido na liderança ou empatada com Lula nas pesquisas eleitorais.

"É uma mulher, fala bem, é evangélica e tem o carinho de uma parte considerável da população", afirmou.

MILAGRES - Bolsonaro diz que "ainda acredito em milagre" sobre uma eventual condenação.

A resposta foi dada após ser questionado sobre quem apoiaria caso continue inelegível nas próximas eleições.

O ex-presidente afirmou que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito "candidato até os 48 [minutos] do segundo tempo é Bolsonaro".

"Não posso bater o martelo agora, certas coisas se você externar... eu deixo de ser uma pessoa procurada", afirmou.

Bolsonaro voltou a dizer que espera dos possíveis sucessores que questionem o motivo dele estar inelegível e se é justo.

Antes de abril [de 2026, prazo para quem ocupa cargo público se afastar para concorrer às eleições] faltam quantos meses? Dez, 11 meses. Vamos esperar a condenação. Eu ainda acredito em milagre, acredito em Deus e que algo possa mudar.

DELAÇÃO DE CID - Sem provas, Bolsonaro disse que Cid foi submetido a um "pau de arara do século 21".

O ex-presidente e as defesas dos outros réus têm criticado a delação feita pelo tenente-coronel e ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

Em áudios vazados pela revista Veja, Cid atacou o ministro do STF e sugeriu que estava sendo pressionado a prestar informações falsas em sua delação na ação da trama golpista.

Cid já negou que tenham ocorrido irregularidades na delação.

O tenente-coronel foi chamado a esclarecer ao gabinete de Moraes, em março do ano passado, após a reportagem da Veja.

Ele negou irregularidades no acordo, afirmou que estava "sensível" por causa da situação que vivia e que perdeu "tudo o que tinha".

Chegou o ponto do Alexandre de Moraes interrogar o Mauro Cid. E ele falar 'olha teu pai, tua esposa, olha tua filha'. Você pode fazer delação nessas circunstâncias? A própria Lava Jato disse que isso é pau de arara do século 21. Isso foi feito com o Cid. [...] Delação subentende espontaneidade, verdade e prova. Ele foi torturado. Não vou dizer que ele mentiu. Ele foi torturado, pensando na filha e na esposa, que teriam comprovação de falsificação do cartão de vacina".

PANDEMIA DA COVID-19 - O ex-presidente disse ao UOL que "não falaria mais" em referências as declarações feitas durante a pandemia da Covid.

"Posso ter exagerado algumas palavras sim", afirmou.

Bolsonaro negou, entretanto, que tem qualquer arrependimentos em relação a condução da pandemia como presidente da República.

A pandemia da Covid vitimou mais de 600 mil pessoas durante o Governo Bolsonaro.

O então presidente chegou a chamar a doença de "gripezinha", criticou governadores que anunciavam medidas restritivas para barrar o avanço do vírus e demorou para compras vacinas contra o coronavírus.


Edição edição 16957




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL