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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

POLÍTICA
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026, 17h:15

SUPOSTO ESQUEMA COM ZAMPIERI

Acusado de vender sentenças, magistrado tem processo prorrogado

Ferreira Filho está afastado do Tribunal de Justiça de MT desde 2024, por determinação do CNJ

Da Redação
Reprodução/CNJ e TJMT
João Ferreira Filho está afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso desde agosto de 2024

O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra o desembargador João Ferreira Filho foi prorrogado pelo O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)  por mais 140 dias o prazo para a conclusão.

O magistrado está afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusado de integrar um esquema de venda de sentenças na instituição.

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A decisão sobre a prorrogaçao do processo foi tomada entre os dias 13 e 20 de fevereiro, durante sessão virtual do conselho.

Os conselheiros seguiram, por unanimidade, o voto do relator, Alexandre Teixeira.

O conselheiro Ulisses Rabaneda, que é mato-grossense, natural de Cuiabá, se declarou impedido.

“O Conselho, por unanimidade, referendou a decisão Id.6360701, prorrogando o prazo para a conclusão da instrução deste Processo Administrativo Disciplinar, bem como convalidou os atos praticados após 24/12/2025, nos termos do voto do Relator. Declarou impedimento o Conselheiro Ulisses Rabaneda”, consta na conclusão do julgamento.  

O processo administrativo contra Ferreira Filho, que tramita sob sigilo, foi aberto em agosto do ano passado.

Ele é suspeito de participar de um esquema de venda de sentenças no TJMT, que começou a ser eesobrto após a análise de conversas de celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, em Cuiabá. 

Ferreira Filho está afastado do cargo desde agosto de 2024.

Ele é monitorado por tornozeleira eletrônica desde novembro, quando foi alvo de busca e apreensão na Operação Sisamnes, em inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).  

A investigação apontou que o desembargador teria recebido recursos e vantagens indevidas de empresas ligadas ao advogado  Zampieri, além de presentes de alto valor, como um relógio da marca Patek Philippe, avaliado em cerca de R$ 500 mil. 

Outro destaque foram os gastos de Ferreira Filho com cartão de crédito em 2023, ano em que, segundo a investigação, foram identificados mais diálogos com Zampieri.

No total, foram R$ 1,3 milhão em despesas, enquanto o montante recebido por ele em salários, naquele ano, foi de R$ 1 milhão. 

A investigação ainda apontou que o desembargador comprou imóveis de luxo que somaram R$ 5,1 milhões, mas declarou à Receita que pagou apenas R$ 123 mil por eles, sugerindo a utilização de terceiros para quitar os débitos. 

Entre esses intermediários, foi citado a esposa do magistrado, Maria de Lurdes Ferreira, e a filha, Alice Artuso.

Alice teria recebido mais de R$ 1 milhão da empresa Agropecuária Cuiabá Eirelli, cujo sócio era o advogado Roberto Zampieri. 

A decisão que afastou Ferreira Filho também recaiu contra o desembargador Sebastião Moraes Filho, atualmente aposentado compulsoriamente pelo TJMT. 

Ele também responde PAD no CNJ e inquérito no STJ. 


Edição EDIÇÃO 16959




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