POLÍCIA
Sexta-feira, 17 de Junho de 2016, 20h:07
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GRANDE CUIABÁ
Uma pessoa desaparece a cada 12 horas
Em Cuiabá e Várzea Grande, duas pessoas desapareceram por dia, ou uma a cada 12 horas, no ano passado; foram 754 casos, segundo a DHPP
ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Cuiabá e Várzea Grande duas pessoas desapareceram por dia, ou uma a cada 12 horas em 2015. Foram 754 casos, conforme dados do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios (DHPP). Neste ano, entre janeiro e maio a polícia registrou 218 BOs de pessoas que sumiram. A notícia não tão ruim é que a maioria reaparece ou é localizada pela polícia ou mesmo por familiares. Em janeiro, por exemplo, dos 58 que desapareceram, 31 foram localizados. Em março, esse percentual foi superior: dos 45 que sumiram, apenas em um caso a família continua sem pistas que possam trazer a pessoa de volta. Em todas as faixas etárias há ocorrências de desaparecimentos. Porém, chama a atenção das autoridades o número de jovens de ambos os sexos que somem, com destaque para os do sexo feminino. Em janeiro, 15 meninas com idade entre zero e 17 anos sumiram. Já entre os homens foram somente dois registros. O delegado da DHPP, Luciano Inácio da Silva, explica que desaparecer voluntariamente, como ocorreu entre muitos adolescentes, não é caracterizado crime, mas fuga. São motivados principalmente por desajustes ou dificuldades nas relações familiares. Mas nem por isso, observa, a Polícia pode deixar de investigar. Ao contrário, recebe toda atenção necessária, porque pode estar sendo enganada ou pressionada a não retornar. Se a situação envolve menores de 14 anos, diz, há o crime de subtração de incapaz, se a criança ou adolescente estiver sob o poder de um adulto, por exemplo. Luciano Inácio disse que dá para padronizar procedimentos na investigação de desaparecidos. Precisamos analisar cada caso, completa. O sumiço da adolescente Maria Eduarda da Costa Ribeiro, 15 anos, desde 10 deste mês, cita, é um típico caso de desaparecimento voluntário, ou seja, que a menina saiu de casa por vontade, não foi levada por alguém. Entretanto, destaca o delegado, é necessário continuar as investigações, mesmo a família tendo feito contato com ela, pois haveria o risco de estar sendo influenciada, pressionada por um adulto ou mesmo correndo risco de vida. O sumiço de Joane Glória de Macedo, 19 anos, moradora do Jardim Umuarama, em Cuiabá, ocorrido em março de 2012, demorou mais de dois anos para ser caracterizado como crime de homicídio. Depois de suspeitar do ex-namorado, da namorada do ex de Joane e de tomar depoimentos de dezenas de pessoas e fazer diligências em inúmeros lugares, a Polícia obteve a confissão do assassino. Cleiton José da Silva, um rapaz com o qual ela recusava namorar, a empurrou em uma ribanceira na comunidade do Barreiro Branco.