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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 26 de Setembro de 2009, 16h:19

SISTEMA PRISIONAL

Três bandos comandados dos presídios

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A polícia desarticulou recentemente uma quadrilha que roubava carros e praticava extorsão. Numa outra ação, identificou o mandante de um assassinato. Além disso, chegou até o traficante que comandava o esquema de tráfico de cocaína entre Mato Grosso e Bahia. O que esses casos tão diferentes têm em comum? Os três – o chefe da extorsão, do tráfico e o mandante da execução – estão presos na Penitenciária Central do Estado (antiga Pascoal Ramos) e davam as ordens atrás das grades usando celulares. Mesmo com apreensões recordes, a Superintendência de Gestão de Penitenciária de Mato Grosso não consegue acabar com o uso de celulares dentro dos presídios. De 2007 até o final de junho, foram apreendidos 1.558 celulares em todas as unidades prisionais. Cerca de 40% desse total, mais de 600, aparelhos estavam com detentos da Penitenciária Central, onde estão os presos considerados mais perigosos. Os números impressionam. Em 2007, foram 638 apreensões; no ano seguinte, baixaram para 590. No primeiro semestre deste ano, foram 300 celulares retirados de circulação. Agentes prisionais calculam que para cada aparelho apreendido outros 10 continuam nas mãos dos detentos. Numa das últimas apreensões do semestre, na Penitenciária Central, foram 57 celulares localizados nas celas, além de 25 baterias, 10 carregadores de diversas marcas, além de 32 chips. A quantidade chegou a lotar duas sacolas. “Hoje, a facilidade de entrada dos celulares é maior do que há 10 anos, quando os aparelhos eram os chamados ‘tijolões’. São mais compactos e ainda usam chips. São a cartão e isso tudo facilita os criminosos”, observou um agente prisional. Conforme policiais da Delegacia do Complexo do Planalto, próxima da Cadeia Pública do Carumbé, os criminosos utilizam o celular como ferramenta de manter o controle econômico. “No caso do traficante, continuará a faturar onde era o chefe. O chefe do bando que assaltava também continuará dando as ordens e obtendo parte dos lucros”, explicou um policial. Para diminuir a entrada de celulares, a Superintendência de Gestão de Penitenciária de Mato Grosso está usando detector de metais durante a entrada de visitas nos presídios. São portais idênticos a usados por lojas de shopping centers. No caso da pessoa estar com objeto de metal, o portal apita. Os agentes prisionais utilizam também um detector portátil. Antes, havia a revista geral. Em caso de suspeita, era preciso solicitar um pedido à Justiça para fazer exame de raio-x. Em alguns casos, o suspeito ficava nervoso e acabava confessando que estaria com celular ou entorpecente nas partes íntimas.

Edição EDIÇÃO 16968




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