POLÍCIA
Sábado, 22 de Novembro de 2008, 12h:01
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MORADA DO OURO
População local vive assolada pelo medo
Tradicional bairro de classe média da Capital já contabiliza mais de 100 assaltos este ano. Moradores estão alarmados e buscam providências junto à PM
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Tradicional bairro de classe média, a Morada do Ouro vive dominada pelo medo. Nos últimos três meses, mais de 100 assaltos entre roubos a casas e pedestres - ocorrerem no bairro, calculam os moradores. Hábitos comuns como sentar-se na calçada e conversar com o vizinho no início da noite, ou fazer compras no mercado ou na padaria estão sendo abandonados. Os portões, que antes viviam abertos durante o dia à espera dos amigos para uma conversa, agora vivem trancados. Aqui já foi um bairro tranqüilo. A gente tem que ficar atenta porque a qualquer momento alguém pode pular o muro. Sou moradora há 25 anos e nunca passei por isso, contou Wilza Pinto Botelho de Miranda, a dona Wilza, uma das pioneiras da Morada do Ouro. Antes, a gente nem tinha muro. Fizemos há alguns anos. Assustada com a violência, ela disse que dá para contar nos dedos as casas que ainda não foram assaltadas. Acrescentou que, a partir das 18 horas, não sai mais de casa para fazer compras. Além do risco de ser assaltada na rua, pode se deparar com um ladrão dentro do mercado. No maior supermercado do bairro, os ladrões já assaltaram três vezes neste ano. Após a contratação de segurança particular, diminuiu as ações dos bandidos. Uma revenda de embalagem e também e uma padaria foram assaltados durante o dia. A onda de violência não para por aí. Na semana passada, três rapazes invadiram a casa de um morador, um policial federal aposentado. Este reagiu e baleou um dos bandidos um garoto de 17 anos. Os demais fugiram. A partir daí, o ritmo dos roubos em casas diminuiu. Os moradores afirmaram que a violência só não está pior porque há três anos um ladrão foi morto a tiros durante um assalto a uma casa. Para reduzir a violência, representantes da associação dos moradores do bairro se reuniram com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Antônio Benedito Campos Filho, para que a PM faça rondas nas ruas do bairro. Queremos um policiamento ostensivo nas ruas do bairro e em pontos críticos, destacou a presidente em exercício da associação, Elizabeth Pinheiro, a Beta. Entre esses pontos críticos estão o mini-estádio e alguns locais escuros que se transformaram em fumódromos. Sem dinheiro para consumir mais drogas, usuários acabam assaltando as pessoas próximas. Temos muitos assaltos nas ruas. Como muita gente não registra queixa, a violência do bairro não aparece, frisou a presidente. Como conseqüência, os moradores estão deixando de freqüentar a pracinha, pois está próxima ao mini-estádio. Segundo Elizabete, é importante o registro de queixas porque a polícia passa a se preocupar com o bairro fazendo rondas e caçando os ladrões. Caso contrário, fica abandonado pelas autoridades. Ela lembra que muitas pessoas foram assaltadas ou furtadas (quando não há violência) e acabam não procurando a polícia. Os moradores suspeitam que alguns presos da Casa do Albergado, localizada no bairro vizinho, estejam por trás dos assaltos, principalmente nas casas. Dos atuais 215 presos em regime semi-aberto (que trabalham durante o dia e dormem na Casa do Albergado), um terço não aparece por lá para pernoitar.