POLÍCIA
Sábado, 11 de Julho de 2015, 12h:43
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CSI X REALIDADE
Politec precisa de investimento e pessoas
O uso da tecnologia nas investigações criminais em Mato Grosso ainda é bem distante da realidade encontrada em países desenvolvidos
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Embora existam várias diferenças entre os recursos reais de trabalho e os métodos aplicados na ficção, a exemplo da série CSI (Crime Scene Investigation), o uso da tecnologia e da ciência nas investigações criminais, em alguns procedimentos, em Mato Grosso, é bem distante da realidade encontrada em países desenvolvidos, como os Estados Unidos (EUA). Desvinculada da Polícia Civil, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) é o departamento técnico-científico responsável por realizar os exames criminais e as identificações civis e criminais do Estado, sendo que um dos casos em que a perícia foi decisiva foi o acidente do avião da Gol com o jato da Legacy, que matou 154 pessoas, em 2006. À época, concluiu-se que a colisão só ocorreu porque os pilotos do Legacy desligaram o aparelho que avisa sobre aproximação de outra aeronave e não respeitaram a altura prevista para o voo. Em meio aos altos índices de criminalidade, a diretoria da Politec afirma que o órgão estadual acompanha as evoluções das ciências forenses, aplicando-a à realidade local com os instrumentos e métodos mais eficazes disponíveis nesta área. Mas esta não é a mesma visão de representantes do Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais de Mato Grosso (Sindpeco), que garantem que a realidade do Estado não é ruim, mas está longe de ser uma referência. De acordo com o ex-presidente e atual tesoureiro do Sindpeco, Márcio Godoy, um dos motivos para esse atraso é resultado da falta de investimento em equipamentos de ponta. Conforme Godoy, uma dessas carências encontra-se no setor de documentoscopia forense, que analisa e identifica os diversos tipos de falsificações e adulterações em documentos, moedas, selos, cartões de credito, cheques, contratos, procurações, certidões de nascimento, óbito, entre outros. Segundo ele, o aparelho disponível atualmente é desatualizado e precário. O equipamento que temos hoje dá muita manutenção, que é cara, sem falar no especialista que precisa vir de fora, comentou. Hoje, o que temos é um VSC 5000, mas precisamos de, no mínimo, de um VSC 6000, acrescentou. Outro exemplo citado pelo sindicalista é o Laboratório Forense, onde, devido à grande demanda, por vezes faltam insumos para exames de DNA e teor alcoólico. Existe uma grande procura e falta de insumos, afiançou. Godoy também aponta a necessidade de atualização de softwares e de capacitação permanente dos profissionais. O trabalho exige essa qualificação permanente. Hoje ocorre, mas de forma isolada e pouca, afirmou. Quanto ao efetivo, segundo ele, a situação na Grande Cuiabá melhorou com o último concurso realizado pelo Governo, mas nas demais regiões do Estado ainda está longe do ideal. Por meio da assessoria de imprensa, a diretoria da Politec informou que, além de equipamentos inerentes ao trabalho de perícias de crimes contra a vida e patrimônio, o órgão está em constante atualização com o desenvolvimento de novos métodos reconhecidos mundialmente, e pesquisas em parcerias com universidades e institutos de pesquisa, que buscam trazer mais precisão e consistência aos laudos periciais. Dentre os equipamentos utilizados no dia-dia pelos peritos em local de crime, então a luz forense, kit de verificação de trajetória balística, trenas eletrônicas, GPS, luminol, kits de coletas de impressão digital e maletas de perícia. A perícia criminal de Mato Grosso não perde para os grandes centros com relação à estrutura de equipamentos e de pessoal. Dispomos de bons equipamentos e o quadro de servidores em constante treinamento, buscando o que há de mais avançado na área de perícia e identificação técnica, com a participação em congressos nacionais e internacionais. Inclusive, sendo reconhecida pelos trabalhos inovadores realizados que contribuem com a Justiça Criminal, afiançou. PERFIS GENÉTICOS - Porém, A Politec reconhece que, em relação a países desenvolvidos, como os Estados Unidos, em alguns processos o Estado ainda está distante. Em outros, busca a equiparação aos métodos internacionais. Exemplo disso é o avançado método de identificação genética, disponível no Laboratório Forense. O método desenvolvido pelo FBI (Policia Federal Americana) amplia os campos de buscas por suspeitos de crimes hediondos e também por pessoas desaparecidas em todo país, a partir da sincronização de perfis genéticos coletados em local de crime, citou. A tecnologia, conforme a Politec, está disponível em Mato Grosso e em outros 16 estados brasileiros que compõem a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.