POLÍCIA
Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:50
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PRESÍDIO MILITAR
PMs são rejeitados por albergados
Os 22 militares e ex-militares que cumprem pena em regime semi-aberto no Cadeião de Santo Antônio de Leverger (cidade a 27 quilômetros da Capital) não puderam ficar na Casa do Albergado. Assim que chegaram lá, na sexta-feira, foram ameaçados pelos 270 presos que cumprem regime naquele prédio, localizado no bairro Centro América, em Cuiabá. Às pressas, eles foram transferidos para outro local, por determinação do secretário-adjunto de Justiça, tenente coronel Zaqueu Barbosa. Segundo os militares, os presos comuns se amotinaram e ameaçaram executar todos eles, caso pernoitassem. Assim que chegou o ônibus da Polícia Militar, os presos começaram a gritar. Na verdade, chegaram apenas 12, de um total de 26, e, mesmo assim, o clima esquentou. Então, fomos para outro local seguro, informou um dos militares do regime semi-aberto. O temor dos policiais era ficar no mesmo prédio com detentos que eles prenderam. Não tem como a gente ficar no mesmo prédio. Isso é risco de vida que a gente corre. Não tem cabimento, reclamou um dos militares. Na sexta-feira, os policiais chegaram às 18 horas e os detentos, às 20 horas. Ao perceber que estavam impedidos de entrar, os militares ligaram para o secretário-adjunto, que conseguiu outro prédio para que os PMs pernoitassem. Barbosa informou que o Cadeião está sendo reformado para alojar os presos em regime semi-aberto. A transferência do Cadeião para outro local foi determinada pela Justiça. No início do mês, a promotora criminal Julieta Nascimento solicitou providências, pois os presos pernoitavam numa sala de sete metros quadrados, espaço físico inadequado. O MPE enviou uma comunicação por escrito para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Secretaria-adjunta de Justiça e ao Comando Geral da Polícia Militar. Em sua solicitação, a representante do Ministério Público pedia a readequação do local para que haja condições dos militares e ex-militares cumprirem as normas exigidas pelas leis do Código de Execução Penal. A maior parte dos presos que ganharam progressão de pena já cumpriu um sexto da condenação. O Cadeião de Santo Antônio de Leverger é o único presídio militar do Estado. Estão presos lá militares e ex-militares provisórios (sem julgamento) ou sentenciados cumprindo pena. Os beneficiados pelo regime semi-aberto são obrigados a cumprir a progressão de pena no mesmo prédio. (AR)