POLÍCIA
Sábado, 03 de Setembro de 2011, 12h:01
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OSTENSIVIDADE
PM faz policiamento diário com 20% do pessoal
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mato Grosso tem hoje um efetivo de 5.736 policiais militares distribuídos em Comandos Regionais (CR). Apesar do número total, apenas cerca de 1,2 mil policiais de fato fazem o policiamento ostensivo em todo o Estado diariamente, apenas 20% do contigente. Para se ter uma ideia, o CR-I de Cuiabá conta 1.138 homens, maior concentração do efetivo policial por cidade do Estado. Porém, como eles atuam em regime de plantão de 12h por 36 horas, são apenas entre 180 a 220 policiais, com 40 a 70 viaturas, fazendo o trabalho de segurança por dia nas ruas da Capital, cuja população é de 550 mil habitantes. No Estado, o déficit atual é de 3,5 mil homens, em razão de aposentadoria, pedido de baixa e exclusão. Quem mora ou trabalha na cidade sente a falta de segurança nas ruas. Nos recorrentes casos de arrombamentos e explosões de agências bancárias ou caixas-eletrônicos no Estado, que são acompanhados por relatos queixosos de vítimas que lamentam a ausência dos agentes de segurança nas ruas não só na Capital, mas em todos os municípios mato-grossenses. As pessoas de uma forma geral ficam preocupadas com a falta de contingente da polícia. Agora, imagine como é que nos sentimos quando há uma greve como a da Polícia Civil e que todos sabem, inclusive os bandidos, que as investigações estão paradas. Isso causa ainda mais insegurança e desconfiança na segurança pública, comenta Alberto Pinheiro Machado, administrador da Galeria Itália, que fica no Jardim das Américas, região nobre da cidade, onde uma quadrilha tentou roubar malotes de dinheiro na tarde da última segunda-feira. Na ação, quatro pessoas morreram. Em frente à Galeria Itália está instalado um ponto base do 1º Batalhão da PM. Porém, lojistas e funcionários afirmam que a presença de militares no local é rara. Possivelmente, reflexo do déficit policial. Tem dia que vêm (PMs). Ficam aí uma meia hora e, depois vão embora, comenta um grupo de trabalhadores que atua no local, mas que prefere não divulgar os nomes. Eles afirmam que os casos de arrombamentos, furto ou roubo de carros e motocicletas são constantes na região. As leis já são fracas, o combate e a prevenção são pouco e não há investigação. Desse jeito os bandidos tomam conta e nós ficamos reféns, reforça Machado. Outro exemplo que pode ser citado é a desativação da Companhia da PM que existia no bairro Parque do Lago, em Várzea Grande. Na última quarta-feira, houve um tiroteio entre adolescentes dentro da Escola Dunga Rodrigues. A unidade militar funcionava a poucos metros do estabelecimento de ensino e os moradores reclamam que a violência aumentou. Responsável pelo policialmente na cidade, que tem 250 mil habitantes, o CR-II conta com um efetivo de 481 homens. Embora comente que o Estado tem investido no setor, inclusive realizando concurso para a ampliação do efetivo de policiais militares e civis, o secretário de Segurança Pública, Diógenes Curado, reconhece que o número de homens influencia na elevação ou redução dos índices de criminalidade. Tendo mais policiais tem como reforçar o trabalho preventivo, tem condições de colocar mais homens nas ruas, diz. Durante três manhãs, a reportagem do Diário tentou falar com o comandante-geral da PM, coronel Osmar Lino Farias, mas não conseguiu. Com a convocação dos aprovados no último concurso, o quadro de pessoal da PM subirá para 7.058 policiais, entre soldados e oficiais. Do total de 1.208 novos soldados, 650 serão destinados para a chamada a Baixada Cuiabana. Porém, em cinco anos a instituição poderá sofrer baixa de aproximadamente 1 mil policiais por aposentadoria.