Pivô do assassinato foi crime contra cabeleireiras
O duplo latrocínio que vitimou as cabeleireiras Francisca Nascimento da Silva e Zenita de Oliveira Macena tinha como alvo uma outra pessoa, a também cabeleireira Sandra Mara Pereira, que estava no local e se fingiu de morta. De acordo com a polícia, os dois desconhecidos que invadiram o Visual Cabeleireiros, no bairro Canjica, chegaram ao local atirando na cabeça das vítimas. O crime ocorreu no dia 22 de dezembro de 1995 e teria sido o pivô para a morte do informante da Polícia Civil Gisleno Lopes Gusmão, oito dias depois. Ao ouvir os tiros, Sandra deitou-se no chão escondendo-se atrás de uma mesa. Os bandidos, ao pensar que haviam "completado o serviço", fugiram levando as bolsas das vítimas. O laudo de necropsia revelou que os tiros foram disparados a curta distância, diferente de quando uma vítima reage. "Tudo indica que foi um crime de encomenda. As bolsas com dinheiro e documentos das mulheres foi apenas um disfarce", comentou, na ocasião, um dos policiais que trabalhou no caso. As bolsas foram jogadas metros depois, num terreno baldio, numa trilha que dá acesso à avenida Rubens de Mendonça. A princípio, Gisleno entrou na lista dos suspeitos. Dias antes, ele havia passado várias vezes pelo local num carro. Ele era amigo de uma das cabeleireiras. Passados 15 anos, a polícia chegou a deter dezenas de suspeitos, mas nunca chegaram aos criminosos. Muito mais do que prender os latrocidas, a polícia quer chegar aos mandantes. (AR)