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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

POLÍCIA
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008, 21h:03

PIRATARIA

PF estoura fábrica de agrotóxicos

Três pessoas foram presas em uma chácara na região da Guia, onde fabricavam defensivos agrícolas falsificados das marcas mais vendidas no Estado

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Federal (PF) estourou uma fábrica de defensivos agrícolas- piratas que funcionava numa chácara na região da Guia, em Cuiabá. No local, foram presos o motorista José Lacerda de Assis, de 45 anos, o chacareiro Luiz Alexandre Zago e o vendedor Romildo Alencar Pott, de 43. Os agentes federais encontraram produtos químicos que estavam sendo misturados para a fabricação dos agrotóxicos, além de frascos, rótulos falsificados, selos holográficos e lacres. Segundo a PF, Romildo era o responsável pela falsificação de três defensivos agrícolas – Priori, que é fungicida; Criuser, usado no tratamento de sementes; e Standard, de uso em geral na lavoura. Os três produtos são marcas registradas da multinacional suíça Syngenta, líder mundial em defensivos agrícolas. “As pessoas compravam esses três produtos mais baratos como se fossem originais. Quem não quer comprar produtos com desconto?”, observou um agente federal. “Também não descartamos a hipótese do comprador saber que se tratava de um produto irregular”. Ao delegado federal Márcio Carvalho, Romildo relatou que montou a fábrica-pirata há cerca de 40 dias. Nesse tempo, vendeu cerca de 3000 litros dos defensivos, por R$ 110 cada, um valor abaixo do mercado. Com esse valor, ele lucrava o dobro. Romildo pretendia fabricar mais mil litros e o revenderia entre os proprietários rurais do Estado. Embora não seja químico, ele recebeu uma orientação de como fazer a mistura dos produtos e obter os três defensivos, os mais vendidos no Estado. A localização da fábrica clandestina de agrotóxicos ocorreu anteontem após os policiais receberem uma denúncia anônima. Os agentes federais esperaram José Lacerda chegar até a chácara e descarregar os produtos. Assim que os outros dois que estavam no local começaram a manusear os produtos químicos, foi feito o flagrante. O motorista disse que trouxe os produtos como encomenda vinda da cidade paulista de Mirassol e que deveriam ser entregues na chácara. No local, os agentes federais encontraram o filho do chacareiro lavando alguns tachos, sem controle algum. A quantidade de material localizado na chácara surpreendeu os agentes federais. Foram mais de 60 itens apreendidos, incluindo produtos químicos, embalagens e selos, tudo pronto para a fabricação de defensivos agrícolas piratas. Os três foram autuados em flagrante por produzir e comercializar agrotóxicos descumprindo as exigências estabelecidas nas leis. Romildo foi indiciado também por crime de contrabando.

Edição EDIÇÃO 16960




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