NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

POLÍCIA
Quarta-feira, 15 de Julho de 2015, 20h:17

MORTE DE BEBÊ

Pai cumprirá mais de 19 anos; mãe, 12

Tribunal do Júri de Cuiabá condenou casal pelo assassinato do filho de apenas 45 dias de vida durante uma discussão banal

RODIVALDO RIBEIRO
Da Reportagem
O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou na noite de terça-feira (14) o casal André Luiz Pinto de Souza, de 25 anos, e Tainara Cardoso de Araújo, 20 anos, pelo assassinato do próprio filho Josué, então com apenas 45 dias de vida, durante uma discussão por motivo tolo, como costumam ser todas as discussões entre casais. Marido e mulher foram acusados pelo Ministério Público Estadual de serem os assassinos do bebê e o Tribunal do Júri acatou a denúncia de forma unânime. A sentença foi proferida às 21h45 pela juíza Mônica Perri, da Primeira Vara Criminal de Cuiabá. Perri fixou para o marido, 19 anos e seis meses de prisão em regime fechado; para a mulher, 12 anos e seis meses de prisão também em regime fechado. Os dois foram condenados pelo mesmo crime: homicídio doloso, mas ao marido foi adicionado “qualificado” porque o tribunal entendeu que houve motivo fútil e a intenção de matar. Os dois já estavam presos desde o dia em que Josué foi morto, numa noite de janeiro de 2014. A evidência do dano causado pelos dois foi explicitada pelo fato de ambos deixarem de buscar ajuda para a criança, que teria agonizado durante três dias até finalmente expirar. E tudo ficou mais macabro ainda porque pai e mãe sequer foram, no momento em que derrubaram o neném ao chão, atrás de um hospital ou médico. Para o MP, evidência clara de que Josué sofria maus-tratos dos pais desde que veio ao mundo. A defesa do casal procurou alegar morte acidental do menino, que o pai teria derrubado sim o filho, mas desastrada e não intencionalmente, com o objetivo de provocar lesão, maltratar ou matar. A promotoria derrubou a tese argumentando que André era um pai relapso e bastante mau, pois jogou Josué ao chão logo depois de discutir com a esposa que espancava periodicamente. Não ajudou muito a alegação da defesa dele o fato do neném estar, quando morto, com um olho roxo, as pequenas bochechas marcadas e várias escoriações espalhadas pelo corpo, todas evidenciando pancadas. Devota ao marido, Tainara, mesmo maltratada, ajudou a manter a farsa escondendo o bebê em casa e o levando, somente após morto, à residência de um pastor da Assembleia de Deus para que este o “ressuscitasse”. À parte o desvario do pedido, Tainara dizia a toda gente que com ela falava -- repórteres, policiais, médicos, enfermeiros -- que não fazia ideia do motivo da morte da criança à qual havia dado à luz dias antes. A morte do filho de Tainara Cardoso de Araújo e André Luiz Pinto de Souza foi oficializada no Hospital Santa Helena, para onde o pastor e o casal levaram a criança. Na ocasião, Josué contava, como já dito, 45 dias e um politraumatismo craniano. O último de seus dias deu-se em 3 de janeiro de 2014. Na noite de terça-feira, 15 de julho de 2015, a mãe Tainara Cardoso de Araújo chorou alto e convulsivamente, como deveria ter feito um ano e seis meses atrás.

Edição EDIÇÃO 16966




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL