POLÍCIA
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010, 21h:28
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COMPLEXO POMERI
Orientadores agem rápido para conter incêndio e saem feridos
A superintendente do Sistema Sócioeducativo (antigo Complexo Pomeri), Lenize Silva, disse ontem que se não fosse a agilidade dos agentes orientadores que entraram na cela com extintores, os quatro infratores poderiam morrer queimados. Segundo ela, os próprios agentes sofreram queimaduras nas mãos. Apesar da rapidez, um menor ficou ferido e outro morreu - Donizete Tolentino dos Santos, de 15 anos. A tentativa de assassinato contra os garotos ocorreu na sexta-feira, por volta do meio-dia. Donizete morreu anteontem à tarde e um outro infrator continua internado no setor de Queimados do Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC). Na cela havia quatro adolescentes, todos participantes do assassinato do garoto Erick Bruno de Lima, ocorrido no dia 23 de abril deste ano, nas proximidades do prédio onde funciona o programa Ser Menino, da prefeitura de Cuiabá. Erick foi executado com várias facadas - além de levar pancadas na cabeça e ter um cabo de vassoura espetado no pescoço -, apenas dois admitiram a autoria. Os demais alegaram que acompanharam a execução. Desde que chegaram ao Pomeri, há cerca de 10 dias, quatro infratores estavam numa ala isolada, pois tinham problemas de convívio. Antes eles ficaram internados por cerca de 45 dias no Centro Acautelatório, no próprio Pomeri. Assim que foram medicados e receberam alta médica, os dois infratores foram ouvidos na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) da Capital. Os dois alegaram que eram taxados por outros menores como estupradores. Não praticamos violência sexual alguma contra ele (Erick). O restante do pessoal tinha raiva da gente por causa disso, relatou um dos garotos. Lenize acrescentou que o difícil convívio entre os adolescentes fez com que os quatro ficassem isolados. As aulas e também o período de recreação tiveram que ser separados. Na sexta-feira, por volta do meio-dia, no entanto três infratores de outra ala passaram em frente da cela e jogaram um líquido inflamável. Um deles encostou um fio desencapado na cela para que soltasse faísca. O fogo atingiu os colchões e também os garotos. Os agentes foram rápidos com o uso do extintor. Caso contrário, todos morreriam queimados, frisou. Para a superintendente é inadmissível atear fogo contra outra pessoa. Lenise adiantou que já foi instaurada uma sindicância para apurar as responsabilidades. Com a construção da nova unidade em Várzea Grande, poderemos desativar a ala antiga que não contempla as novas normas de atendimento aos adolescentes, completou. HORROR - Os cinco adolescentes que por pouco não morreram carbonizados numa das celas do Complexo do Pomeri protagonizaram um dos homicídios mais aterrorizadores da Grande Cuiabá. Eles executaram o garoto Erick Bruno de Lima, de 14 anos, com várias facadas - além de acertar pancadas na cabeça e enfiar um cabo de vassoura no pescoço. Dois deles admitiram participar do fato e os demais confessaram que acompanharam passo a passo. Os garotos disseram que assassinaram Erick em duas etapas: ele foi deixado no matagal com várias facadas. Ao retornarem ao local, encontraram a vítima viva. Então, resolveram colocar um pano em sua boca e espetaram a madeira no pescoço. O depoimento ocorreu anteontem à tarde, na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Segundo o delegado Antônio Carlos Garcia, os garotos alegaram que havia uma disputa por poder entre eles. (AR)