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POLÍCIA
Terça-feira, 23 de Novembro de 2010, 20h:01

COCALINHO

Namorado conta plano para matar crianças

Risy Nara e Márcio, mãe e padrasto, foram indiciados por homicídio seguido de tentativa de homicídio contra 3 menores e estão presos no interior

FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças
A Polícia Civil de Água Boa apontou o casal Risy Nara Rodrigues Campos, 27, e Márcio Teodoro Leite, 30, como autores do homicídio seguido de tentativas de homicídio contra as crianças Enilton Severo da Luz, de 6 anos, Enildo Severo da Luz Filho, de 10 anos, e Hellen Severo da Luz, de 9 anos. Eles foram envenenados com o raticida “chumbinho”, dissolvido no vidro de um xarope antigripal. O crime aconteceu na madrugada de anteontem na cidade de Cocalinho (765 quilômetros a leste de Cuiabá). O medicamento usado para matar as crianças foi apreendido na casa dela. Em depoimento ao delegado Antônio Moura Filho, responsável pelas investigações, Risy Nara negou a autoria do crime, porém, é apontada por Márcio Teodoro, com quem mantém um relacionamento amoroso há seis meses, como a mentora do plano. Ele revelou que ela queria se vingar do ex-marido Enildo Severo da Luz, que recusou lhe repassar o valor de R$ 100 para o conserto de um aparelho de TV. A morte das crianças foi arquitetada ainda no final de semana. Segundo a escrivã Débora Manciolli, Márcio comprou R$ 3 de chumbinho no comércio de Cocalinho a pedido da namorada. “Ele relatou que ela lhe informou que precisava do veneno para a morte de animais de ossos. Entregou R$ 10 e apenas parte do dinheiro foi gasto na compra do produto. Somente quando entregou a compra é que descobriu como seria usado”, revelou o namorado em depoimento à Polícia Civil de Água Boa. Ainda segundo a policial, Márcio confessou ter sido ele quem deu a dose fatal ao garoto Enilton. “Ele disse que a criança foi a primeira vítima porque tinha traços semelhantes aos do pai, de quem sentia raiva”, disse Débora, acrescentando que a mãe se encarregou de obrigar as outras duas crianças a ingerir o remédio. “Tudo foi premeditado por ela, inclusive o suposto arrombamento da porta da casa. Ela saiu na madrugada para o trabalho na limpeza pública da cidade e, depois retornou para forjar inocência”. Ao retornar para casa Risy Nara já encontrou o filho menor, Enilton, sem vida estendido no piso do banheiro e os outros dois filhos, Enildo e Hellen, no quarto de casal. “Mesmo diante das evidências e da confissão do companheiro, que vivia sob as suas ordens, a mãe não admite o que fez. Ela culpa uma ex-namorada do marido, de quem é separada há quatro anos, e ora diz que não sabe o que aconteceu. É uma pessoa fria, que não demonstra emoção e muito menos arrependimento”, disse Débora. Conforme a polícia, o interrogatório dos presos, que ocorreu durante toda a noite, foi acompanhado pela Defensoria Pública da cidade. Enildo e Hellen continuam internados no Hospital Materno Infantil em Goiânia (GO) e não correm mais risco de morte. Segundo o diretor da unidade, César Gonçalves Gomes, todos os procedimentos para desintoxicação foram realizado. “Nós demos toda a assistência médica. Fizemos tratamento com medicação sintomática, lavagem gástrica e alguns exames. As crianças ainda estão sob observação”, explicou. Risy Nara e Márcio estão recolhidos na Cadeia Pública Feminina e no Presídio Major Zuzi, respectivamente. Por questão de segurança ambos estão em cela isoladas. (Colaborou Adilson Rosa)

Edição EDIÇÃO 16962




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