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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

POLÍCIA
Segunda-feira, 15 de Junho de 2026, 11h:37

CASO ZAMPIERI

MP aponta quatro núcleos em esquema que resultou na morte de Roberto Zampieri

Denúncia aceita pela Justiça torna nove pessoas rés e revela suposto pacto de silêncio com oferta de até R$ 750 mil para evitar delações

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá

A denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) aceita pela Justiça e que tornou nove pessoas rés pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri detalha a existência de uma organização criminosa dividida em quatro núcleos de atuação e aponta um suposto pacto de silêncio articulado após as primeiras prisões para proteger o apontado mandante do crime.

Segundo o documento assinado pelos promotores Samuel Frungilo, Elide Manzini de Campos, Vinicius Gahyva Martins e Rodrigo Ribeiro Domingues, o grupo seria composto pelos núcleos mandante, operacional e intermediário, de execução e de colaboradores.

De acordo com a denúncia, o núcleo mandante seria formado pelo casal Elenice Ballarotti Laurindo e Aníbal Manoel Laurindo. O Ministério Público sustenta que ambos encomendaram a morte de Zampieri em razão de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul.

Conforme os promotores, o advogado representava a parte contrária no processo e teria contribuído para expor supostas fraudes documentais atribuídas à família Laurindo, coincidindo com decisões judiciais desfavoráveis aos proprietários da área.

Já o núcleo operacional e intermediário teria sido liderado por Etevaldo Luiz Caçadini, conhecido como Coronel Caçadini. O militar da reserva é apontado como responsável por planejar a logística do homicídio e por receber recursos repassados pelos supostos mandantes.

A denúncia afirma que Caçadini e o casal Laurindo mantiveram encontros antes da execução do crime e que valores teriam sido transferidos por meio de operações fracionadas, prática conhecida como "smurfing", utilizando uma empresa de segurança ligada ao coronel. Segundo o Ministério Público, a empresa recebeu aproximadamente R$ 172,2 mil em período compatível com o planejamento e a execução do assassinato.

Também integra esse núcleo Hedilerson Fialho Martins, apontado como intermediário entre Caçadini e o executor do crime. Ele teria fornecido a arma utilizada no homicídio.

O núcleo de execução seria composto por Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado. Conforme a denúncia, ele recebeu R$ 20 mil antes da execução e teria sido prometido outro pagamento no mesmo valor após o crime.

Já o núcleo de colaboradores seria formado por Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Junior, Salezia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. O grupo teria prestado apoio logístico e operacional à organização.

Um dos pontos que mais chamaram atenção na denúncia é a existência de um suposto pacto de silêncio após as prisões de Caçadini e Hedilerson. Segundo o Ministério Público, integrantes da organização teriam articulado negociações para impedir delações que pudessem comprometer Aníbal Laurindo.

De acordo com a acusação, foram discutidos pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para assegurar que informações sobre o suposto mandante não fossem reveladas às autoridades.

Prisão suspensa

Ao receber a denúncia na última sexta-feira (12), a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo, apontando indícios de participação na contratação e no pagamento da execução, além de risco de interferência no andamento do processo.

Entretanto, no domingo (14), o desembargador plantonista Gilberto Giraldelli concedeu liminar em habeas corpus apresentado pela defesa e suspendeu o cumprimento da ordem de prisão até nova análise do caso pelo Tribunal de Justiça.

Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O advogado havia acabado de deixar seu escritório e entrava em seu veículo quando foi surpreendido pelo atirador.

Segundo a Polícia Civil, cerca de dez disparos foram efetuados contra a vítima. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação do criminoso, que atuou com o rosto descoberto e utilizou um artefato para abafar o som dos tiros antes de fugir a pé.

O caso ganhou repercussão nacional e segue sendo uma das investigações criminais mais complexas e emblemáticas da história recente de Mato Grosso.


Edição EDIÇÃO 16962




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