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POLÍCIA
Sexta-feira, 14 de Março de 2008, 20h:29

OPERAÇÃO COLA

Morador de MT é acusado de vender diploma

Ação da PF em 14 estados teve apenas um preso, Thiago Pereira, morador de Tangará da Serra, que comercializaria versões falsas do documento pela internet

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Federal prendeu ontem, em Tangará da Serra (a 240 quilômetros de Cuiabá), o estudante Thiago Francisco Vieira Pereira, de 22 anos, acusado de falsificar e vender diplomas de cursos de nível superior e de ensino médio em diversos estados brasileiros pela internet. Thiago foi o único preso durante a “Operação Cola”, deflagrada em 14 estados. Sua prisão preventiva foi decretada sob a acusação de estelionato e falsificação de documentos. Além da prisão do estudante, os agentes federais cumpriram 34 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e Paraná. Também foram alvos cidades em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Maranhão, Acre, Pará e Bahia. As buscas foram pelos diplomas falsos. Conforme a Polícia Federal, em sete meses, Tiago vendeu 34 diplomas irregulares usando o nome de instituições particulares e públicas. São diplomas de vários cursos, a maioria de Medicina, Direito e engenharias - Civil e Florestal. Os falsos documentos tinham, inclusive, carimbos do Ministério da Educação. A PF disse que as instituições não sabiam da fraude. Os agentes federais também apreenderam dezenas de apetrechos e computadores usados para a falsificação dos diplomas. “Temos só um caso de diploma de ensino médio, na cidade de Canarana, em Mato Grosso”, explicou o delegado federal Marco Aurélio Faveri, responsável pela Delegacia de Crimes Fazendários. Pelo esquema, o acusado oferecia os diplomas através da internet e cobrava R$ 1.800. O diploma de Medicina, no entanto, custava mais. Mantinha contato através de e-mail e enviava o documento falsificado em poucos dias, pelo Sedex. A maior parte dos 34 diplomas falsos foi comprada por pessoas de São Paulo, tanto do interior como da capital, e Rio de Janeiro. O esquema esteve pelo menos três anos em vigor. Para comprar o diploma, o interessado preenchia um questionário e citava inclusive a instituição que iria aparecer no documento. Caso não escolhesse, colocava a Universidade Paulista (Unip), uma instituição particular de São Paulo. Os agentes federais apreenderam discos rígidos dos computadores das pessoas que compraram ou intermediaram a atividade. A lista de envolvidos poderá ser maior. A partir dela, o delegado federal saberá se houve mais compradores. “É possível ser maior, uma vez que o esquema estava sendo utilizado há cerca de três anos e as investigações iniciaram há um ano, em São Paulo, e depois foram transferidas para Mato Grosso”, frisou. Os agentes federais percorreram 14 estados à procura dos diplomas falsos fabricados em Tangará da Serra. Em Mato Grosso, foram localizados dois deles – um em Cáceres, do curso de Direito, e em Canarana, um diploma de ensino médio. Em Minas Gerais, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. Além de Belo Horizonte, os policiais foram a Itajubá, no sul do estado, a Mantena, no Vale do Rio Doce e a Araponga, na Zona da Mata. A maior parte são diplomas falsos do curso de Engenharia. Um diploma e um certificado de conclusão de curso superior falsos foram apreendidos em Curitiba (PR). No Rio, os agentes federais foram até uma casa no Recreio dos Bandeirantes. Em Campo Grande, foi apreendido um diploma do curso de Direito. DEFESA - Com a prisão preventiva, Thiago será encaminhado para a Penitenciária Regional de Pascoal Ramos. Ele será indiciado pelos crimes de falsificação de diplomas, que prevê pena de 2 a 6 anos de prisão. A advogada Lidiane Forcelini, defensora do acusado, negou que Thiago tenha vendido qualquer diploma falso. Ela relatou que o rapaz teria conhecido, em um chat na internet, uma pessoa que teria lhe oferecido participar do esquema. Ele se interessou, segundo ela, e começou a oferecer para outras pessoas. “Mas não chegou a vender. Não houve crime. Ele é um adolescente humilde”, disse a advogada. Thiago mora no distrito de Progresso, em Tangará da Serra, e estuda um curso técnico de enfermagem no Senac.

Edição EDIÇÃO 16961




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