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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 06 de Novembro de 2010, 12h:06

PRECOCIDADE

Média é de menores no crime com 13 anos

A cada ano idade mais comum entre adolescentes infratores vem diminuindo. Há dois anos, média era entre 16 e 17 anos, mas caiu ao menos 3 anos

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A idade dos adolescentes infratores que são levados até a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) da Capital vem diminuindo a cada ano, chegando próximo da mínima para que cumpram atividades sócioeducativas, que é de 12 anos. Há dois anos, a média de idade era entre 16 e 17 anos. No ano passado, foi entre 14 e 15 anos e, em 2010, a média caiu para 13 anos. Embora sem contabilizar os casos, os policiais descobriram que, nas últimas semanas, o maior número de infratores detidos e levados pelas polícias civil e militar tem idade de 13 anos. Eles foram acusados de praticar crimes de maior potencial ofensivo como roubo, tráfico de drogas, homicídio e até latrocínio (roubo seguido de morte). Para o delegado Paulo Alberto Araújo, titular da DEA, a maior parte desses garotos preenche a estatística da evasão escolar. Sem estudar, acabam migrando para o crime. “A escola é o último vínculo que tinham. A partir daí, saem para as ruas e ficam a disposição de criminosos”, frisou. O delegado lembrou que muitos estudantes que alegam não estudar mais chegam a pedir transferência de unidade educacional, mas nunca vão procurar pelo documento. Com isso, fica a falsa impressão de que deveria estar estudando em outra escola. “Neste caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro. Determina que os representantes das escolas procurem o Conselho Tutelar mais próximo e comuniquem o ocorrido. O Conselho Tutelar, então toma uma providência”. Na semana passada, um adolescente de 13 anos, preso no Jardim Cuiabá com um revólver calibre 38 na cintura, confirmou que não estava estudando. Os policiais foram até a escola indicada pelo garoto e pela mãe dele e lá descobriram que o adolescente tinha pedido a transferência, mas não foi buscá-la. A mãe alegou não saber, mas não evitou levar uma bronca dos policiais. O garoto disse que estava pronto para praticar um assalto. Tinha descido de um ônibus e esperava um cúmplice. Os dois iriam render o primeiro veículo que encontrassem pela frente, mas quem passou por lá antes foi a polícia e levou o garoto para a delegacia. O ECA não prevê prisão, mas o cumprimento de atividades sócioeducativas, que podem ser no máximo por três anos. “A realidade, no entanto, é outra. Ficam no máximo alguns meses e, depois retornam à rua. Temos caso de garotos presos com armas e na outra semana, chegam à delegacia com outro revólver”, queixou-se um policial plantonista.

Edição EDIÇÃO 16965




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