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POLÍCIA
Terça-feira, 12 de Junho de 2012, 21h:59

JULGAMENTO

Mecânico pega 21 anos por matar esposa

Elidemar dos Santos de Melo, de 35, foi condenado por matar, com pancadas na cabeça, sua mulher Isis Naiara Fraga Campos, de 25

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Justiça condenou a 21 anos de prisão o mecânico Elidemar dos Santos de Melo, de 35, pelo assassinato da esposa Isis Naiara Fraga Campos, de 25, morta com golpes na cabeça, no dia 15 de janeiro de 2011, no bairro Renascer. O julgamento ocorreu anteontem à tarde pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado – motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa por parte da vítima. Após arrebentar a cabeça da esposa na frente da filha de um ano e oito meses, ele foi até a casa da mãe dele, tomou café e foi trabalhar. Horas depois, foi informado de que a esposa estava ferida em estado grave e morreu no Pronto Socorro de Cuiabá. Ele alegou que a casa tinha sido invadida por ladrões. Coube à delegada Anaíde Barros descobrir o mistério. Em conversa com vizinhos, ficou sabendo da discussão do casal no horário do crime. A delegada, então, o prendeu em flagrante. Segundo o promotor criminal João Augusto Gadelha, o casal teve uma discussão banal por causa de religião – os dois eram evangélicos. Ele reclamou que a esposa havia cortado o cabelo e suspeitava que ela o traía. Casados havia três anos, eles tinham dois filhos, sendo que ela ainda estava de resguardo do caçula – havia dado à luz 45 dias antes. Após acertar a cabeça da esposa com um pedaço de um banco, Elidemar saiu para trabalhar, deixando a porta aberta. A filha, então, saiu para fora com a roupa manchada de sangue chamando a atenção de vizinhos. Em seguida, a criança foi entregue à avó paterna, Dirce dos Santos Melo, que foi a primeira pessoa a entrar na residência, ocasião em que se deparou com a vítima com um banco de madeira em cima de seu pescoço e o filho Mateus chorando em cima da cama, com respingos de sangue da mãe. A mulher mandou chamar o filho no trabalho, que chegou em casa e levou a esposa ao Pronto-Socorro, onde ela morreu uma hora depois, de traumatismo craniano. “Autores de crimes de violência doméstica acham que isso é normal. São pessoas que não possuem perfil criminoso. Agem no calor da discussão. Em seguida, voltam a ter um comportamento normal como se nada tivesse ocorrido”, destacou a delegada. Desde que foi preso e durante o julgamento, o mecânico negou que tivesse praticado o crime. Sua alegação é que a esposa foi vítima de assalto. O promotor lembrou que a vítima deixou várias cartas dizendo que o marido era violento. Tanto que se comunicava com ele através de cartas. Numa das cartas deixadas para familiares, relatava que havia cumprido a missão, pois após a morte, ela se transformaria numa flor com pétalas brancas e gotas de sangue. “Mesmo depois de morta continuarei te amando Elidemar”, dizia um trecho.

Edição EDIÇÃO 16962




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