A maior parte dos processos que tramitam pela 12ª Vara de Criminal é de assassinatos de pessoas humildes, que moravam em bairros longe do centro de Cuiabá. Familiares que buscam saber o andamento processual acabam tendo uma surpresa. Embora os homicídios tenham sido esclarecidos, com indiciamento dos suspeitos pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o processo pára. Na semana passada, a mãe de um jovem assassinado a tiros no ano passado na região do CPA procurou a 12ª Vara Criminal. Foi orientada a procurar o Ministério Público Estadual (MPE). O promotor criminal João Augusto Gadelha disse não saber mais o que fazer. São pessoas humildes, que ainda acreditam na Justiça. No caso dela (da mãe do rapaz), trata-se de réu solto. Como não foi marcada a audiência, passa a idéia de impunidade. Mal está havendo audiências de réu preso. De réu solto então, nem se fala, reclama. A situação está tão crítica que dias desses uma testemunha teve que pedir dinheiro emprestado para voltar para casa, em Várzea Grande. Sugeriram ir de camburão, mas o jovem se recusou. Irritada, a testemunha disse não saber se volta para a próxima audiência. Para início de abril, haverá a fusão entre a 12ª e 13ª Vara Criminal da Capital. Além de não ter juiz, a 12ª Vara terá o dobro de processos, o que poderá paralisá-la de vez. (AR)