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POLÍCIA
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 17h:08

AMOR INSANO

Mãe vive angústia por notícia há 77 dias

Alessandra Pomom, desaparecida aos 33 anos, pode ter sido vítima fatal de uma relação tumultuada com o namorado, considerado foragido da Justiça

KEITY ROMA
Da Reportagem
A resignação diante de uma tragédia anunciada por uma paixão doentia mina a cada dia a fé de Maria Aparecida Alcântara, 51 anos. Já são 77 dias de espera e a filha, Alessandra Alcântara Pomom, 33 anos, continua desaparecida. Uma mulher bonita, decidida e temperamental que se entregou aos perigos de um amor insano. Escolha ou sina, Alessandra ignorou advertências e agressões para viver um romance que pode ter lhe custado a vida. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu com a vendedora de motos desde o dia 31 de outubro. Longe de profetizar, quem acompanhava de perto o caso extraconjugal entre Alessandra e o proprietário de uma oficina e mecânico, no bairro Alvorada, Josué Camargo, 47 anos, sempre esperava pelo pior. A polícia o considera o principal suspeito pelo sumiço da namorada. O relacionamento entre a vendedora e o mecânico começou no final de 2008. Ele, casado. Ela com um namorado, amigo da esposa de Josué, conheceu o homem que seria seu amante. Atração incontrolável. Josué e Alessandra passaram a se encontrar na oficina mecânica. A esposa dele descobriu, mas nada mudou de imediato. Alessandra se conformou com a posição de amante e não abriu mão de viver a paixão. Quando se apaixonou, Alessandra estava divorciada há um ano. Mãe dedicada a três filhos, duas meninas de 12 e 16 anos, e um bebê, que hoje tem 3 anos, ela praticamente abandonou a família para ficar com o mecânico. “Ela mudou completamente por ele. As músicas, os lugares que ela frequentava, começou a beber, abandonou os filhos e virou outra pessoa”, conta Maria. A mãe relata que a vendedora chegava às 19 horas em casa, no Unipark, em Várzea Grande, se arrumava e ia passar a noite com o namorado na oficina. De lá voltava apenas na manhã seguinte para se aprontar e ir para o serviço. Não via os filhos, deixou de acompanhar a vida deles e passou a viver em função de Josué. Desde então a avó Maria passou a criar os netos com a ajuda do pai das crianças. O filho mais novo de Alessandra não a chama de mãe. O menino pergunta para a avó: “Aonde está a Alessandra?”, e se contenta com as respostas vagas, que em poucos minutos o fazem esquecer dela. “A gente tentou entender, mas nem ela conseguia explicar tanta paixão. Falei tanto para terminarem, que ela era difícil e ele também e não daria certo. Só dizia que o amava e que não conseguia controlar. Que longe dele só chorava e era muito infeliz. Brigavam e voltavam logo em seguida”, lamenta a mãe. Foi em uma tarde que Maria descobriu que a filha vinha apanhando do então namorado. “Ele deu um tapa nela na frente das crianças e eu falei que estava preocupada. Ele só respondeu para eu não me preocupar, que de vez em quando ele dava `só uns tapas’”, recorda. A violência das agressões piorou. Em janeiro do ano passado, durante uma discussão, Alessandra levou diversos golpes de faca de Josué. Os mais graves atingiram a cabeça e um perfurou o pulmão. Ela foi para o Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá com diversos ferimentos. Quatro dias depois, teve alta e reatou o relacionamento turbulento. O boletim de ocorrência do fato gerou um processo por tentativa de homicídio contra Josué. A amigos ela relatou que o namorado pagou uma cirurgia para colocar silicone em outubro para que o inocentasse no depoimento judicial. A audiência no Fórum estava marcada para os dias que sucederam o desaparecimento de Alessandra. No dia 31 de outubro ela saiu de casa para encontrar o namorado na oficina. De lá teriam ido para um bar no bairro Alvorada. Beberam, discutiram e ela desapareceu. O mecânico chegou a prestar depoimento e disse que a viu pela última vez naquela tarde. Na versão, ela teria caminhado rumo ao ponto de ônibus até sumir de vista. Com a ausência na audiência da tentativa de homicídio, Josué teve a prisão decretada, mas está foragido. Com o otimismo já desgastado pelo tempo, a família implora por notícias, quaisquer que sejam. “Que tenham piedade pelo menos da angústia dos meus netos”.

Edição EDIÇÃO 16962




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