POLÍCIA
Sábado, 02 de Junho de 2012, 00h:25
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JULGAMENTO
Júri desvenda trama de traição e morte
A Justiça condenou a 19 anos de prisão o pistoleiro que trabalha como motorista da Policlínica do Pedra 90, Joacy Gomes Pereira, o Cara de Onça, pelo assassinato de Doraci Paula de Oliveira Santiago, executada com dois tiros na cabeça. O crime ocorreu dia 3 de março do ano passado em uma estrada de terra na região da lagoa do Jatobá, em Cuiabá. Durante o julgamento, anteontem à tarde, no Tribunal do Júri da Comarca da Capital, o promotor criminal João Augusto Gadelha descobriu que se tratava de um crime de mando. Mesmo condenado a mais de 20 anos pelo assassinato do chacareiro José Maria da Rocha, ocorrido em janeiro de 1995, dentro da enfermaria do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, Joacy ainda continuava no serviço público como motorista da prefeitura. Descobrimos, através de uma quebra de sigilo telefônico, que ele (Joaci) agiu a mando da esposa do amante de Doraci. Trata-se de um emaranhado de amor, ciúmes, traição que resultou no assassinato de Doraci, resumiu. Conforme o promotor, Beneci da Silva é enfermeira da Policlínica do Coxipó há mais de 20 anos e conheceu Joacy, que trabalhava na Policlínica do Pedra 90. Os dois se tornaram amantes e, ao saber que o colega aceitava assassinatos sob encomenda, a enfermeira repassou dados de Doraci para Joacy, pois a vítima era amante do marido da enfermeira. No aniversário de sua futura vítima, ligou para ela. Ao se aproximar com o pretexto de namorá-la, Joacy preparava a execução de mais um crime de encomenda. Na noite de 3 de março, Joacy foi buscar a vítima na Faculdade Afirmativo, por volta das 20h30, e a levou para o local citado. Ali, Doraci foi assassinada com um tiro no rosto e outro no tórax. O corpo só foi encontrado três dias depois. O crime foi descoberto porque uma amiga de Doraci anotou o número das placas do Prisma preto no qual ela saiu. Na checagem, policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa descobriram que pertencia a ex-esposa do pistoleiro. Os policiais civis demoraram poucos dias para chegar até o Joacy. O exame de balística comprovou se tratar do revólver usado no assassinato. Na Delegacia, Benaci negou que conhecia Joacy, mas a quebra do sigilo telefônico, que chegou após o término do inquérito, apontava que entre dezembro de 2010 e a véspera do crime, trocaram 47 telefonemas, suficiente para provar que se conheciam. Através de seu advogado, Paulo Roberto Gomes dos Santos, Benaci entregou uma declaração no qual não só o conhecia, como também passou informações a respeito de Doraci. Os depoimentos de Benaci e Joacy foram antagônicos, reforçando as suspeita de crime de mando. Até então, ele (Joacy) confessava o crime, mas não admitia que era um assassinato sob encomenda, observou o promotor. João Gadelha pediu também a perda do cargo público por parte de Joacy. (AR)