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POLÍCIA
Terça-feira, 28 de Maio de 2013, 20h:00

TRAVESTI

Júri condena jovem a 15 anos de prisão

Alisson Paulo de Arruda teria matado “Maria do Bairro” porque ela testemunhou a morte de “Alicinha”, que também foi executada pelo réu

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá sentenciou a 15 anos de prisão o jovem Alisson Paulo de Arruda, de 21 anos, pelo assassinato do travesti Maildo dos Santos Silva, de 25 anos, conhecido como “Maria do Bairro”. O crime ocorreu no final de agosto de 2011 na Lagoa Encantada no CPA. Pelo mesmo crime, os jurados inocentaram Cleberson Rodrigues Marques e Silva, de 24 anos, cuja defesa alegou ausência de provas. O julgamento ocorreu anteontem à tarde presidido pela juíza Mônica Catarina Perri de Siqueira. Os dois, no entanto, foram condenados no mês passado, respectivamente a 16 e 15 anos de prisão, pelo assassinato de outra travesti - Alisson Alisson Otávio Carvalho da Cruz, o “Alicinha”. Com isso, Alisson soma 31 anos de prisão e Cleberson 15 anos. A decisão cabe recurso, mas os réus devem aguardar presos. A dupla foi presa em companhia de um adolescente no final de agosto de 2011 por policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e, com isso, foi esclarecido o assassinato dos dois travestis. As execuções ocorreram de forma semelhante – a pancadas – no bairro Morada da Serra, na Capital. Dois adolescentes, um deles um traficante do bairro, também participaram dos assassinatos. Ao contrário de que se imaginava, a motivação não foi por homofobia e sim tráfico de entorpecentes – as vítimas eram usuárias e deviam para traficantes do bairro. Na ocasião, a delegada Anaíde Barros já havia descartado a motivação por aversão a homossexuais, pois desde o início dos trabalhos, os policiais apontavam para um crime com conexão com o tráfico de entorpecentes. As investigações mostram que Alisson devia cerca de R$ 500 em entorpecente para o garoto traficante. Ele descobriu que seu cliente, além de lhe dar um “banho” – comprar e não pagar a pasta-base de cocaína – estava adquirindo drogas de um traficante rival. “A partir daí, os envolvidos mataram Alicinha. A outra travesti entra no caso porque teria testemunhado o crime e estaria chantageando o adolescente e exigindo o pagamento em drogas”, informou a delegada. Na ocasião, foram assassinados Alisson Otávio Carvalho da Cruz, o “Alicinha”, de 20 anos, executado no dia 29 de maio. Ele foi asfixiado com uma corda e arrastado por dezenas de metros e jogados num córrego. Dias depois, foi a vez da travesti Maria do Bairro.

Edição EDIÇÃO 16962




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