POLÍCIA
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010, 19h:52
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CASO ANA
Homicídio qualificado e aborto provocado
Crimes foram imputados ao PM Claudemir Sales, acusado de assassinar Ana Cristina Wommer enquanto grávida de 8 meses de bebê que não era seu
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O policial militar Claudemir Souza Sales, 30 anos, foi indiciado pelo assassinato da corretora de imóveis Ana Cristina Wommer, morta aos 24 anos e grávida de oito meses da filha Maria Eduarda. O delegado Márcio Pieroni, titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), concluiu ontem o inquérito e indiciou o soldado PM por homicídio qualificado, aborto provocado e ocultação de cadáver. O delegado indiciou também o comerciante Davi Nascimento como co-autor dos crimes. O PM, que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima, está preso no Presídio Militar de Santo Antônio de Leverger. Ele teve pedido de prisão preventiva feito pelo delegado no relatório final do inquérito com mais de 300 páginas - que será encaminhado para o Fórum Criminal da Capital. De acordo com Pieroni, mesmo com o laudo do exame de DNA apontando que o policial militar não é o pai da criança, o rumo das investigações não mudou. O inquérito apontou que o policial vinha sendo pressionado pela vítima para que reconhecesse o filho. Ana Cristina foi encontrada morta no dia 24 de agosto deste ano num terreno próximo do então Hospital Neuropsiquiátrico, na saída para Rondonópolis. Ela havia abortado a filha. Para o delegado, a tentativa de aborto forçado foi por parte do militar, que teria agido com um ou dois cúmplices. Ana Cristina foi vista pela última vez no dia 22, de manhã, após sair de sua casa, no bairro Tijucal, para se encontrar com o PM Sales com quem tinha um relacionamento extraconjugal. A polícia pediu exame para se certificar de que o bebê era do militar. O corpo da vítima com o feto foi localizado em estado de decomposição. No entendimento de Pieroni, a apreensão do carpete do porta-malas do Gol preto de placas AQR 1920, de São José dos Pinhais (PR), pertencente ao policial militar, foi mais uma prova de que Ana Cristina foi colocada no veículo e jogada num terreno na região do Distrito Industrial. Conversamos com a funcionária do lava-jato onde o carro foi lavado e ela nos confirmou o que já desconfiávamos: o carpete estava com muito sangue e havia muitos tufos de cabelo dentro do carro. O cheiro de sangue também era forte, frisou o delegado. A funcionária disse que, no dia 23, por volta das 11 horas, quando o soldado Sales foi buscar o carro que tinha sido deixado horas antes para ser lavado, ele checou o porta-malas e reclamou que o carpete não tinha sido lavado. Ele (Sales) arrancou o carpete e, de uma forma ríspida, pediu para a funcionária que lavasse imediatamente. Ela, por sua vez, alegou que quando o cliente pede uma determinada limpeza específica, que retire o acessório, destacou o delegado. A perícia no Gol havia confirmado a presença de sangue no estofado e, também alguns cabelos. A apreensão do carpete trouxe mais indícios sobre a presença dos dois itens.