POLÍCIA
Terça-feira, 31 de Março de 2009, 21h:17
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GOLPE DO EMPREGO
Golpista cobrava por emprego irreal
8 pessoas foram na conversa do agenciador de empregos, que conseguiu tomar deles cerca de R$ 1 mil; Polícia não crê que dinheiro seja devolvido
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O vendedor Leônidas de Souza, de 40 anos, foi preso em flagrante na manhã de ontem, acusado de vender vagas no serviço público federal. Para viabilizar um emprego público ao interessado, ele exigia que o candidato lhe entregasse um envelope contendo fotocópias de documentos pessoais e R$ 137 em dinheiro. Na semana passada ele aplicara esse golpe no Bairro Bela Vista, mas ontem se deu mal ao voltar ao local do crime, pois foi cercado pelas vítimas, que acionaram a Polícia Militar e o denunciaram como autor de um golpe. Até agora sabe-se que oito pessoas caíram no golpe do agenciador de empregos. Depois de preso, ele foi levado à Delegacia do Complexo do Planalto, onde foi autuado em flagrante por crime de estelionato. De acordo com o relato das vítimas, o golpista lhes dissera que não seria necessário se submeterem ao concurso público, uma vez que havia muitos desistentes, e quem lhe pagasse o valor exigido estaria habilitado a ocupar uma das vagas. Frente à possibilidade concreta de ocupar uma sinecura, as pessoas entregaram os documentos e o dinheiro ao golpista. Quem pagou, deveria ser contratado para trabalhar no Ibama e também na Universidade Federal de Mato Grosso. O golpe foi aplicado na semana passada, após o golpista abordar uma vendedora de espetinhos. Ele me disse que eu iria melhorar de vida. Era só entregar-lhe os documentos e pagar a taxa. É claro que não desconfiei de nada. A lábia dele é muito boa, admitiu. A partir do momento em que a vendedora de espetinhos foi convencida pelo golpista, ela própria acabou conseguindo a adesão de mais sete pessoas. Mas quando ele começou a exigir mais dinheiro, as pessoas desconfiaram. A contratação seria a partir do dia 5, embora não tenha dito o local exato. Como não mudou a data, mas apenas pediu mais dinheiro, a gente desconfiou que tudo não passava de uma esperteza dele, explicou. Pelas contas das vítimas, só no Bairro Bela Vista o espertalhão arrecadou mais de R$ 1 mil entre os moradores da região. O dinheiro, no entanto, não foi localizado com o golpista e tudo indica que as vítimas ficarão no prejuízo. Policiais militares que participaram da prisão acreditam que outras pessoas também tenham caído na lábia do falsário. Com a prisão dele, mais vítimas poderão procurar a Polícia. Um dos policiais lembrou que o ingresso no serviço público só ocorre por concurso ou através de exame seletivo, este em raríssimas situações. As pessoas tem que ficar mais atentas porque o número de golpistas na praça é muito grande, frisou. Na Delegacia, o vendedor negou as acusações. Alegou que, ao chegar ao bairro Bela Vista, na manhã de ontem, foi ameaçado por várias pessoas. Olha, alguém mostrou um facão para mim. Isso sim, é o que aconteceu. Não enganei ninguém, garantiu. Ele se referia ao momento de tensão, quando foi cercado pelas vítimas todas revoltadas com o golpe. O vendedor acrescentou que sua atividade principal é desempenhar a função de cobrador, mas disse que também faz serviços gerais.