POLÍCIA
Quarta-feira, 04 de Março de 2009, 20h:18
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MENORES NO CRIME
Garoto de 14 chefia bando latrocida
Adolescente é preso em operação com mais 3 menores e jovem; um deles não poupa frieza em depoimento: Ele reagiu e a gente atira mesmo
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Policiais da Delegacia Municipal de Várzea Grande prenderam um adulto e quatro adolescentes que confessaram ter praticado um duplo latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no dia 20 de fevereiro. Entre os presos está um adolescente de 14 anos, apontado pelos demais como chefe do bando. Eles também são acusados de ter praticado juntos cerca de 50 assaltos a casas em Várzea Grande. A prisão dos envolvidos ocorreu na manhã de ontem, em três bairros de Várzea Grande e no Tijucal, em Cuiabá. Foram detidos Valdenir Rodrigues Bandeira, de 19 anos, dois adolescentes de 17, que confirmaram ter atirado nas vítimas, o garoto de 14 e outro de 16 anos. Os dois mais novos disseram que apenas ajudaram a carregar o dinheiro, após a execução a tiros do comerciante João Batista da Silva, de 36 anos, e do pedreiro Dílson Jardes Moraes, de 42, no último dia 20, no Jardim Itororó, em Várzea Grande. Segundo o chefe de operações da Delegacia Municipal de Várzea Grande, policial civil Edson Leite, os assaltantes alegaram que atiraram contra as vítimas porque elas reagiram. Na Delegacia, Valdenir alegou que só mostrou o mercadinho, alvo do crime, para os demais integrantes do bando. Em seguida, ele teria saído do local. Os dois adolescentes de 17 anos não só confessaram que atiraram como contaram detalhes de como executaram as vítimas. Conforme os menores, eles chegaram armados com revólveres e renderam João Batista e Odilson, mas o comerciante segurou no cano do revólver e tentou tomar a arma. Então, o outro adolescente armado atirou. Em seguida, eles atiraram no pedreiro, que correu para os fundos e caiu. Ele reagiu e, quando reage, a gente atira mesmo, declarou um dos adolescentes. Após o crime, eles ficaram dois dias escondidos numa casa num bairro próximo e depois foram para Cuiabá. Um deles levou consigo o revólver que acabou sendo apreendido ontem. O delegado Douglas Turíbio, responsável pelas investigações, alerta que as vítimas nunca devem reagir a assaltos, pois os ladrões estão sempre dispostos a atirar. Os policiais descobriram que o assalto ocorreu porque Valdenir passou a informação de que havia R$ 5 mil no caixa do pequeno mercado. Não sei se havia tanto dinheiro assim, mas eles sabiam que o comerciante não depositava em banco e guardava dinheiro em casa, observa o delegado. A partir daí, o bando passou a planejar o assalto. Valdenir acrescentou que saía de uma festa, já no raiar do dia, na sexta-feira de Carnaval, e avisou os demais adolescentes que era o momento propício para o crime. Na sequência, os garotos disseram que os quatro entraram no estabelecimento comercial e renderam as vítimas. Os ladrões, no entanto, fugiram levando apenas algumas moedas carregadas numa caixa pelos outros dois adolescentes. Acabei derrubando as moedas no chão e fugi a pé. Meu trabalho foi pegar o dinheiro e o celular. Eu e ele (apontando para o adolescente de 16 anos), relatou o garoto de 14 anos. O latrocínio ocorreu por volta das 6h30, assim que o comerciante abriu as portas do mercadinho. O pedreiro Dílson Jades trabalhava numa construção próxima e como os colegas não haviam chegado, resolveu se deslocar até o mercadinho. Ele era amigo do proprietário e sempre tomava café no estabelecimento.