Com a violência chegando dentro dos lares, a vida urbana tem se tornado cada vez mais propícia a traumas. Em conseqüência disso, pessoas que ficaram reféns de bandidos costumam apresentar em seu comportamento evidências de um transtorno que a Psicologia, feitas as devidas análises, pode enquadrar como Estresse Pós-Traumático. São perturbações que necessariamente trazem de volta a memória de um trauma, fazendo com que a pessoa reviva aquele momento de tensão. O comentário é do psicólogo clínico Renato Molina, que também aponta: muitas vezes, as vítimas de traumas apresentam comportamentos que são ridicularizados pelas outras pessoas, mas que merecem um olhar mais cuidadoso. Pode acontecer de tais comportamentos como uma ansiedade contínua ou depressão se repetirem tanto a ponto de evidenciarem que aquela pessoa passou a perder em qualidade de vida por conta de um episódio do passado. Uma coisa é, semanas após o trauma, o indivíduo se tornar extremamente cauteloso e vigilante. Outra é ele se manter assim exageradamente quando o trauma já deveria estar esquecido. Ou, como diz Molina, outra coisa é reviver continuamente a situação. Se as respostas decorrentes do trauma aparecem por um período que se prolonga, tem uma doença se instalando ali. O Estresse Pós-Traumático começou a ser estudado com soldados no pós-guerra. Pesquisas apontam que as mulheres são mais susceptíveis ao transtorno que os homens, mas que, na população em geral, pouco mais de 1% das pessoas que passam por traumas apresentam o transtorno. A pessoa que procurar ajuda psicológica por sofrer com Estresse Pós-Traumático pode se recuperar com até um ano de acompanhamento em conjunto com psiquiatra. (RD)